The Author's POV

Volume 9 - Capítulo 799

The Author's POV

A memória inundou sua consciência como um tsunami, penetrando cada canto e recanto de sua mente e assumindo o controle de tudo o que ali estava contido.

Amanda sentiu como se seu mundo estivesse girando enquanto uma série de imagens começava a surgir em sua cabeça.

Não tinha certeza de quanto tempo estivera ali parada, mas, ao voltar a si, notou que o sol já começara a se pôr.

"Você finalmente processou as memórias?"

Veio de trás dela uma voz que conhecia muito bem.

Ela se sentou em sua cadeira sem sequer se dar ao trabalho de olhá-lo e tentou digerir tudo o que lhe fora jogado.

Ela apoiou os cotovelos na mesa e massageou a testa.

"As memórias…"

Sua cabeça pulsava.

"…Elas são reais?"

"Por que não seriam?"

Ren apareceu bem na sua frente.

Ele a olhou com uma expressão de satisfação no rosto, e os cantos de seus lábios estavam levemente curvados.

A expressão em seu rosto...

Ela estava genuinamente irritada com isso, mas, ao pensar nas memórias que inundavam sua mente, percebeu que não conseguia se queixar.

Ela…

Era realmente ela?

"Hehehe."

Ren riu de uma maneira extremamente irritante e se sentou na mesa.

"O que você acha?"

Ele se aproximou dela, e seus olhos se estreitaram ao fazer isso. Ao mesmo tempo, o sorriso que antes estava parcialmente visível em seu rosto desapareceu gradualmente, sendo substituído por uma expressão extremamente séria.

"Pessoa parecida com um polvo?"

Embora sua voz estivesse calma, Amanda podia sentir a raiva oculta nela.

Seu ego havia sido ferido.

"Eu não sabia que você pensava isso de mim, Amanda… Estou sinceramente magoado."

Ele continuou.

Havia uma expectativa em seus olhos, como se quisesse que ela corrigisse o que seu outro eu havia dito, mas Amanda não lhe deu esse benefício.

Quando ela levantou a cabeça, fez questão de apertar os olhos e inclinar a cabeça.

"Acho que você…"

Ela parou no meio da frase e balançou a cabeça.

"…Não, deixa pra lá. Você não parece um polvo."

"Espera, calma aí. Você acha que sou surdo? Você claramente estava prestes a dizer algo."

A expressão de Ren mudou para pior, e ele se inclinou para frente. Ele parecia bastante desesperado naquele momento, e os lábios de Amanda tremiam.

Estava tendo dificuldade em se manter composta.

'É muito fácil.'

Por mais impressionante que Ren fosse, ele era a pessoa mais fácil de se ler.

Ela o conhecia como a palma da mão, e pressionar seus botões não era algo difícil para ela.

Dito isso…

'Era realmente eu?'

Amanda tentou esconder sua expressão cobrindo o rosto com as mãos.

Apesar de não conseguir ver suas próprias memórias, ela havia visto o suficiente pela perspectiva de Ren para se sentir secretamente envergonhada com seu próprio comportamento.

Seria assim que ela teria se tornado se o Rei Demônio nunca tivesse existido?

Isso a fez estremecer.

"Ei, Amanda. Por que você não está respondendo? Com―"

Levantando a cabeça, ela se inclinou para frente e pressionou os lábios contra os de Ren. Ele parou de falar imediatamente, e sua expressão ficou em branco.

Perturbando os lábios, Amanda se sentou novamente na cadeira.

"Você trabalhou duro."

***

"Eu tenho seis orbes comigo, e há sete de vocês presentes."

Jezebeth olhou para os sete demônios que estavam bem na sua frente enquanto seis orbes brancos flutuavam sobre sua palma.

A presença dos demônios era diferente de qualquer outra, e suas expressões continham apenas reverência por ele.

Eram os sete líderes de clã.

"Meu senhor, aceitaremos qualquer decisão que você tomar."

Com uma leve reverência, o Príncipe Murdock, líder do Clã da Inveja, falou.

"Não sei o que são esses orbes, mas se você os está dando a nós, devem ter um valor significativo."

Suas palavras refletiam os pensamentos dos outros líderes.

"Hmm, você pode dizer isso."

Os orbes amarelos ao redor de Jezebeth giravam sobre sua palma.

"Eles são realmente bastante preciosos. Tanto que vocês podem até ver suas forças aumentarem…"

Todo o ar pareceu parar no momento em que essas palavras saíram de sua boca.

As expressões dos sete demônios mudaram ao saber que receber os orbes amarelos aumentaria sua força.

Em seu nível atual, aumentar sua força era quase impossível, e quase todos estavam presos na mesma classificação por um período considerável de tempo.

O fato de que os orbes poderiam aumentar sua força...

Observando os orbes na palma de Jezebeth, uma intensa ganância brilhou nos olhos de todos os sete líderes.

'Como esperado.'

A visão fez Jezebeth sorrir.

Ele já sabia que suas palavras provocariam tal resposta deles.

"Já que vocês estão reagindo assim, deve significar que todos vocês querem os orbes, não é?"

Os líderes assentiram ao mesmo tempo, e Jezebeth riu.

"Muito bem, já que só tenho seis e não quero escolher favoritos, farei algo para deixar todos vocês felizes."

Ele estendeu o dedo para frente, e runas douradas brilharam no ar, envolvendo toda a sala em um brilho branco.

O brilho branco se aglomerou na ponta de seu dedo, formando um pequeno orbe branco de tamanho semelhante ao dos orbes amarelos.

"Isso deve ser suficiente."

Assim que o orbe se formou, Jezebeth olhou para os sete demônios e acenou com a mão.

Xiu! Xiu! Xiu!

Os orbes foram disparados diretamente em direção aos sete demônios, e antes que pudessem reagir, suas cabeças rolaram para trás, e a sala ficou branca.

***

[Domínio Humano, Cidade de Ashton.]

"Por favor, mantenham a ordem. Não se apresse; chamaremos você um de cada vez!"

O ar estava carregado de tensão enquanto as multidões se aglomeravam ao redor do portal, aguardando sua vez de atravessar e embarcar em uma jornada para um novo mundo.

Excitação e ansiedade pairavam palpavelmente no ar enquanto as pessoas sussurravam entre si, sem saber o que as aguardava do outro lado.

Algumas famílias estavam vestidas com suas melhores roupas, como se este fosse o início de uma grande aventura, enquanto outras usavam trajes práticos e resistentes, próprios para a viagem.

Todos seguravam seus pertences firmemente, checando se não haviam esquecido nada. A promessa de uma nova vida era grande demais para arriscar deixar algo para trás.

"Eles nos prometeram abrigo, certo?"

Uma mulher perguntou ao marido, sua voz tremendo de nervosismo.

"Sim," ele respondeu, tentando esconder sua própria incerteza. "Disseram que nos garantiriam abrigo e comida."

"Há fotos do lugar?"

Outro homem perguntou, sua voz carregada de curiosidade.

"Sim, já enviei para você no chat."

Seu amigo respondeu, puxando o celular para mostrar ao grupo.

O portal em si era uma estrutura imponente, brilhando sob a luz do sol. Pulsava com uma suave luz azul que se espalhava pela terra ao redor.

O zumbido da energia do portal era quase ensurdecedor, fazendo muitos segurarem os ouvidos.

"Seu documento de identidade, por favor."

Um oficial chamou, trazendo todos de volta ao momento presente.

Os oficiais recebiam cada grupo à medida que se apresentavam, checavam suas identificações e forneciam instruções para a jornada à frente.

"Aqui está, oficial."

Um homem disse, entregando seus documentos de identificação. O oficial examinou os papéis, checando e conferindo as informações.

"Mhm, tudo conferido. Você pode passar."

O oficial finalmente disse, acenando para que eles seguissem.

Havia uma sensação de expectativa e nervosismo no ar.

Ninguém sabia exatamente o que esperar do outro lado do portal. Alguns tinham visto fotos de um mundo verdejante que parecia diferente de qualquer outro, enquanto outros sussurravam sobre perigos e incertezas.

Isso era esperado.

Afinal, este era um mundo completamente diferente, e quase nada se sabia sobre o planeta. A única coisa que sabiam com certeza era que essa era sua única chance de uma vida melhor.

Woom!

O portal foi ativado, e o primeiro grupo atravessou.

Um silêncio caiu sobre a multidão enquanto desapareciam de vista, e houve um momento de tensão enquanto todos esperavam para ver se o portal falharia.

Woom!

E então, com um suave zumbido, o portal foi ativado novamente, e outro grupo se adiantou para sua vez.

"Próximo!"

Os oficiais chamaram, e as multidões começaram a se mover para frente.

Assim, cada vez mais pessoas começaram a avançar, e a multidão que contava milhares de pessoas começou a diminuir lentamente. O sol, que antes estava no céu, começou a se pôr, e a noite se aproximava.

Ainda havia pessoas na fila atrás do portal, e entre elas estava uma certa família de três.

"Vamos, Nola. Precisamos nos apressar, ou chegaremos atrasados."

"Ok, mãe."

Nola guardou o celular e seguiu sua mãe.

Restavam apenas algumas pessoas na fila à sua frente, e logo seriam chamadas.

"Mãe, o Ren vem com a gente?"

"Ren?"

Samantha colocou a mão sobre a bochecha. Seu rosto parecia preocupado, e uma voz suave respondeu por ela.

"Ren está ocupado. Ele disse que virá quando tiver tempo mais tarde."

"Oh."

Nola assentiu desanimada.

Seria uma mentira dizer que ela não estava desapontada.

Fazia bastante tempo desde que havia visto seu irmão, e embora entendesse que ele estava extremamente ocupado cuidando de assuntos com a Aliança, realmente teria apreciado se ele aparecesse para vê-la de vez em quando.

Com a vida agitada nos últimos anos, ela não teve tempo para ir à escola e não tinha amigos.

As únicas pessoas com quem conversava eram seu pai e sua mãe, e… eles eram chatos.

Muito chatos!

"Sobre o que você está pensando tão intensamente?"

Uma mão de repente pousou em seu ombro.

Nola notou uma mudança na expressão de seus pais quando levantou a cabeça, e ao se virar, viu um rosto familiar.

Um que não via há bastante tempo.

Por algum motivo, seus olhos arderam, e ela não conseguiu se conter. Imediatamente se lançou em sua direção, dando-lhe um abraço apertado.

"I, irmão!?"

"Ho!?"

Ren ficou claramente surpreso com a atitude de Nola, mas isso durou apenas um curto momento, pois seu rosto rapidamente se derreteu, e ele a abraçou de volta.

"Minha, minha, minha… então você finalmente sente falta do seu irmão?"

Um sorriso bobo pairava em seus lábios, e ele continuou a apertar o corpinho de Nola, que estava firmemente preso em seu abraço.

"Ok, Nola. Você pode soltar agora."

Isso durou um bom tempo, e ela acabou sendo puxada para longe por Samantha.

"Ren, faz algo também!"

"O quê, por quê?"

Ren olhou para ela com uma expressão de desapontamento, puxando Nola ainda mais para perto e virando o corpo para longe dela.

Ba… Thump!

Ele sentiu seu coração pulsar por algum motivo, mas a sensação dissipou-se tão rápido quanto surgiu.

"Estamos apenas nos abraçando. Não interrompa nosso momento."

"Aiii… Pare de fazer cena. Você está se abraçando há cinco minutos. Estamos próximos, então tire-a do seu corpo."

"Tsk."

Ren silenciou e não demonstrou abertamente seu descontentamento.

Ele não tinha desejo de morrer.

"Nola, você pode soltar agora. Se não soltar, mamãe nos colocará em apuros."

"Mhm, tá bom."

Nola soltou obedientemente e esfregou os olhos.

"Isso é bom."

Ele acariciou a cabeça dela e lançou um olhar para o portal ao longe.

"Seja uma boa menina e ouça a mamãe e o papai. Enquanto a cidade for segura, não faça nada estúpido enquanto estiver lá. Se você se comportar bem, vou te dar uma surpresa.

"Ok."

Nola assentiu obedientemente mais uma vez, ouvindo atentamente as palavras de Ren. Tal comportamento fez com que ele sorrisse ainda mais, e sua expressão quase desmoronou.

Levantando-se, ele olhou para seus pais e os abraçou.

Ba… Thump!

Mais uma vez, seu coração pulsou, e ele sentiu as pernas tremendo um pouco.

'O que está acontecendo comigo?'

A sensação veio e foi rapidamente, mas deixou uma impressão nele enquanto tentava verificar se algo estava errado com seu corpo.

No entanto, ao ver que tudo estava normal, ele pôde apenas encolher os ombros.

'Talvez seja porque não vou vê-los por um bom tempo.'

Provavelmente era isso.

"Tenham uma boa viagem."

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