
Volume 8 - Capítulo 753
The Author's POV
A cor branca tingiu minha visão mais uma vez.
O mundo ao meu redor se despedaçou em milhões de pedaços, e me vi de pé em um chão claro. Ao inclinar a cabeça para frente, consegui ver meu próprio reflexo.
"Parece que você ficou sem tempo."
A voz…
Inclinei a cabeça para o lado para ter uma melhor visão de Matthew, que parecia ter se materializado do nada. Ele estava sorrindo para mim.
"Você conseguiu aprender o que queria aprender?"
"Meio que sim."
O tempo foi breve, mas de alguma forma consegui me aprimorar. Não foi tanto quanto eu esperava, mas foi melhor do que nada.
"É bom ouvir isso."
Matthew murmurou, olhando para o mundo branco ao seu redor com uma expressão complicada.
"Parece que minha missão está completa. Eu queria te encontrar no parque porque gostava da vista de lá, mas acho que isso não é mais possível..."
Ele levantou a cabeça e suspirou.
"Bem, é isso. Acho que… você pode dizer que agora estou oficialmente morto."
O sorriso que se espalhou por seu rosto ao dizer essas palavras parecia forçado. Não consegui ver direito, pois sua cabeça estava voltada para o lado.
"Quando você diz, oficialmente morto―"
"Significa o que significa."
Matthew olhou para mim.
"A única razão pela qual eu estava neste mundo, desde o início, era para esperar por você. Meu corpo real… bem, você já deve saber o que aconteceu com ele."
Minha mente começou a voltar para o incidente que ocorreu no Monólito, e, à medida que isso acontecia, encontrei-me fechando os olhos.
"Este mundo…"
Ele continuou.
"Era bom. Era pacífico. Era tudo que eu pensei que a Cidade Ashton seria se os demônios nunca existissem. Vivi neste lugar o suficiente para dizer que fui feliz."
Abri os olhos novamente para encará-lo.
Pensando em suas palavras, me vi perguntando.
"Você realmente acha que esse mundo é um onde os demônios não existem?"
A história do mundo sugeria isso. O fato de Kevin não existir naquele mundo também era um indicativo de que o Rei Demônio―Jezebeth, nunca havia existido… ainda assim, por algum motivo, não conseguia tirar algo da minha cabeça.
"Se os demônios nunca existiram, por que eu não existo? Por que nunca nasci naquele mundo?"
Não havia registros sobre mim, apesar de eu ter procurado com afinco.
Ren Dover não existia naquele mundo, e eu não sabia o porquê.
"Sobre isso…"
Matthew coçou o lado da cabeça.
"Não tenho certeza também, para ser honesto. Suponho que seja porque dois Rens não podem existir no mesmo mundo, ou por algum outro motivo assim, mas não sei, nem nunca saberei... Só sei que Kevin queria te mostrar algo, e espero que você tenha encontrado sua resposta."
"Encontrei."
Concordei com a cabeça.
"Embora não esteja totalmente certo sobre a validade do que encontrei, quando eu voltar, poderei confirmar tudo."
"Então só posso te desejar boa sorte."
Matthew sorriu e estendeu ambas as mãos para os lados.
Olhei para ele estranhamente.
"…Não me diga que você quer que eu hu―"
"Não."
Ele me interrompeu, rindo quase.
"Como eu já disse antes, certifique-se de ser gentil desta vez. Pode ser a última vez que eu sinta dor, mas… ainda assim, desejo que seja algo que eu não precise passar."
"Hm?"
Uma espada apareceu no momento em que suas palavras se apagaram. Quando levantei a cabeça para olhá-lo, encontrei-o sorrindo para mim.
"Vamos lá, não pensei que você fosse alguém indeciso. Acabe logo com isso. Deixe-me finalmente ter um descanso."
"Eu…"
Fiquei sem palavras, mas logo respirei fundo.
"Tudo bem."
Apertei minha espada com firmeza e avancei. Parei a poucos metros de Matthew e coloquei minha lâmina contra seu pescoço.
"Certifique-se de que não dói."
Ele me lembrou, fazendo-me rir um pouco.
"Vou tentar."
"Ah, certo..."
Parecia que ele se lembrou de algo.
Enquanto coçava o lado do rosto, parecia perdido nas palavras certas a serem ditas. Depois de algum tempo, deu uma leve sacudida na cabeça e olhou diretamente para mim.
"Sinto muito."
Slash―!
***
"Mestre da Aliança."
Eu podia ouvir palavras fracas ecoando no fundo da minha mente.
Eram bastante tênues.
"Mestre da Aliança."
Com o tempo, ficaram cada vez mais altas.
"Ren!"
"Huh?"
Isso foi até eu perceber que meu corpo estava tremendo e minha cabeça havia se movido para frente. Quando abri os olhos, estava imediatamente cercado por uma luz brilhante, e meus olhos arderam.
"O que está acontecendo? Onde estou?"
Quando voltei a atenção para o meu entorno, percebi que estava no meio de um escritório grande. À minha frente havia uma mesa de madeira onde papéis estavam espalhados, e atrás dela havia uma janela bastante grande.
"Você finalmente acordou?"
"Ryan?"
Para minha surpresa, encontrei Ryan de pé à minha frente. Ele estava vestido com um terno cinza que não lhe caía bem. Era ridiculamente grande, e ele nem se preocupou em amarrar a gravata corretamente.
"O que você está fazendo aqui e onde estamos?"
Massageei a testa e olhei para cima.
"Na verdade, se não me engano, você me chamou de… Mestre da Aliança?"
"Você está bem?"
Em vez de uma resposta, recebi um olhar preocupado.
Olhando ao redor, Ryan retirou uma pequena garrafa de seu anel e me passou.
"Tome esta poção. Parece que você tem se esforçado demais."
"…"
Eu o encarei por um momento antes de pegá-la.
Talvez ele estivesse certo.
O gosto da poção era bastante amargo, e percebi que ajudou a desfazer parte da névoa em minha cabeça. Uma pena pelo sabor, porque se não fosse tão adstringente, eu teria acabado com ela de uma vez.
"Está se sentindo melhor?"
"Um pouco."
Não fez muita diferença, mas pelo menos me senti mais alerta.
"Então…"
Olhei ao meu redor sem dizer nada. O espaço do escritório… parecia semelhante ao de Kevin, mas também era diferente.
Havia várias fotos em frente à minha. Todas pareciam ser desenhos que Nola me deu há algum tempo?
Havia também fotos dos meus pais e da Amanda?
Quanto mais observava, mais confuso eu ficava.
"…Ryan, onde estamos exatamente?"
"Hm?"
Ryan me olhou estranhamente mais uma vez.
Vendo o olhar preocupado em seu rosto, falei antes que ele tivesse a chance.
"Apenas me responda."
"…Quartel-General da Aliança."
"Quartel-General da Aliança… entendi."
Massageei a parte inferior da minha boca.
"…e eu sou o Mestre da Aliança, certo?"
"Ren, você tem certeza de que está bem?"
"Apenas me responda."
"…Sim. Se você estava curioso, então sim, você é de fato o Mestre da Aliança."
"…"
Eu senti minha cabeça pulsar ainda mais forte.
'O que aconteceu enquanto eu estava fora?'
Baixando a cabeça e olhando para o meu relógio, percebi que não havia passado nem um único dia desde a morte de Kevin.
Isso me confundiu ainda mais.
"Ryan."
"Sim?"
"Estou curioso sobre uma coisa."
"A localização do hospital mais próximo?"
"Você pode parar com isso?"
Eu o encarei, e ele baixou a cabeça.
Respirando fundo, terminei o que restava da poção.
"Kevin… O que aconteceu com Kevin?"
Tive uma má premonição ao fazer essa pergunta. Por algum motivo, sentia que o incidente recente não era a única coisa que Kevin havia feito.
…e as próximas palavras de Ryan serviram para confirmar meu pressentimento.
"Kevin? Quem é Kevin?"
"Ha…"
Sorri.
'Como esperado…'
Meu pressentimento estava realmente correto. O que ele me mostrou não era a única coisa que ele havia feito.
'Pelo visto, ele parece ter se apagado da memória de todos.'
"Você precisa de informações sobre alguém chamado Kevin? Qual é o sobrenome dele?"
"Não, esqueça isso."
Afastei Ryan com a mão e peguei meu telefone.
'Ele não está nem nos meus contatos.'
Olhando, percebi que Kevin não estava mais nos meus contatos. Ao abrir minhas redes sociais, percebi que ele também havia sumido de lá e que não havia uma única menção dele na internet.
Eu era um seguidor ávido das redes sociais de Kevin, então sabia melhor do que ninguém que ele havia desaparecido.
Era como se ele tivesse desaparecido completamente do mundo.
'Droga.'
Desliguei meu telefone e reclinei na cadeira.
Nada.
Não havia mais nada dele.
'Sem dúvida, este deve ser meu mundo…'
Enquanto todos os registros dele haviam desaparecido, eu sabia que este era o mundo ao qual eu pertencia. Era apenas que as conquistas anteriores de Kevin haviam sido dadas a outros.
A história era praticamente a mesma.
'Por que ele… não, posso entender o porquê.'
Não era necessário ser um cientista para descobrir suas intenções. Ele, por mais desajeitado que fosse, não queria que aqueles a quem estava próximo sofressem por causa dele.
Ele não queria que chorassem por ele. Sabia que sua morte impediria alguns de seguir em frente, e não queria isso.
"Heh."
De certa forma, ele não era tão diferente de mim.
Se eu estivesse em uma situação semelhante à dele, provavelmente teria feito a mesma escolha que ele.
Ele realmente era… um banana.
"Ren, há algo que você gostaria que eu fizesse? Se não… eu gostaria de voltar a pla―trabalhar."
A voz de Ryan me tirou de meus pensamentos e, fingindo não ter ouvido suas palavras finais, acenei com a cabeça.
"Sim, na verdade. Eu gostaria que você fizesse várias coisas para mim."