
Volume 3 - Capítulo 254
The Author's POV
[15 de julho de 2056.
Um ataque terrorista ocorreu no Lock durante os jogos de battle royale do torneio interacadêmico.
Dois dispositivos de teletransporte foram encontrados instalados durante o evento. Os investigadores ligaram esse ataque ao Monólito.
Com os valentes esforços de dois jovens estudantes, os portais foram rapidamente localizados e sua ativação foi impedida.
Infelizmente, em uma tentativa desesperada, um dos perpetradores danificou diretamente o núcleo instalado no dispositivo de teletransporte.
Uma explosão massiva se seguiu, matando 260 pessoas e ferindo mais de 80 no processo.]
—Clique!
Desligando a TV, Emma jogou o controle remoto de lado.
"Já estava na hora." Vestida com um vestido preto, Emma se virou. "Vamos, Kevin."
"Hmm"
Uma voz fraca e rouca respondeu.
"...Kevin."
Os lábios de Emma se tensionaram.
Olhando para Kevin, que estava sentado em um sofá branco vestido de preto, Emma sentiu seu coração se despedaçar.
Desde 'aquele' dia, Kevin não era mais o mesmo. Ele estava pulando as refeições e, na maior parte do tempo, parecia sempre distraído. Ele até havia parado de treinar, algo que ela nunca tinha visto ele fazer durante todo o ano.
Seu rosto estava pálido e seus olhos, avermelhados. Olheiras profundas apareciam sob seus olhos.
"É tudo culpa minha..."
Ele murmurava repetidamente para si mesmo.
Emma não entendia por que ele se culpava pela morte de Ren. Não era algo que ele pudesse ter controlado.
Mas.
Toda vez, Kevin murmurava essas palavras. Culpando-se pela morte de Ren.
"...Kevin."
Emma o chamou.
"…Ah, Emma… Me dê um segundo."
Kevin finalmente olhou para Emma. Ele tentou sorrir alegremente, mas isso o fez parecer ainda mais miserável. Seus olhos sem vida, junto com as olheiras, fizeram o coração de Emma se agitar.
Emma entendeu.
A morte de Ren realmente o afetou profundamente.
"Precisamos ir. Comparecer é o mínimo que você pode fazer por ele."
Hoje era o dia do funeral de Ren. Por motivos óbvios, não havia corpo no local. Mesmo assim, ninguém questionou sua morte.
A menos que um milagre acontecesse, Ren simplesmente não poderia sobreviver.
"...E-Emma, o que eu faço?"
A voz rouca de Kevin trouxe Emma de volta à realidade.
Olhando nos olhos dela, ele murmurou fracamente.
"Eu-não sei o que fazer... Se eu não tivesse sido tão estúpido e simplesmente tivesse saído com—"
"Basta!"
Emma o interrompeu.
"Agora não é hora para isso! Quanto tempo você vai passar se lamentando?"
Ela estava começando a ficar irritada agora.
Era natural que alguém ficasse desolado pela morte de alguém próximo. Ela também estava triste. Embora não tivesse sido particularmente próxima de Ren, interagiu bastante com ele no passado.
E embora Kevin e Ren fossem muito próximos, a última coisa que Kevin poderia fazer era se afundar em autocomiseração.
Não seria isso que Ren desejaria para ele. Mesmo que Emma não tivesse interagido muito com Ren, ela podia ver o quanto ele realmente se importava com Kevin.
Ele nunca teria querido que Kevin se culpasse por algo assim.
Levantando a cabeça, Kevin perguntou fraco.
"...Então o que eu faço?"
"Fique mais forte." A voz de Emma se tornou firme. "...Fique forte o suficiente para impedir que isso aconteça novamente no futuro e faça aqueles que causaram isso pagarem. Seja o Monólito ou qualquer um que esteve envolvido!"
Enquanto falava, os olhos de Emma nunca deixaram Kevin.
Ela queria que ele entendesse que, em vez de se culpar pelo que aconteceu, era melhor se levantar e amadurecer.
Mesmo que levasse anos para Kevin se recuperar disso, Emma queria que ele usasse esse incidente como um ponto de referência para seu crescimento.
Ela queria que ele ficasse mais forte. Forte o suficiente para impedir que tudo isso acontecesse novamente.
"...Eu entendi"
Kevin disse após um breve momento de silêncio.
Olhando para Kevin, Emma conseguiu notar uma mudança sutil nele. Embora a tristeza nunca tivesse desaparecido, havia algo mais dentro daquela tristeza.
Determinação.
A determinação de crescer e mudar.
Vendo a mudança, Emma sorriu lindamente.
"Fico feliz que você tenha se levantado." Emma estendeu a mão "Vamos, é hora de nos despedirmos dele."
"Mhm."
Segurando sua mão, Kevin se levantou.
***
Deitada em sua cama com os cabelos espalhados pelo travesseiro, Amanda olhava para o teto de seu quarto sem expressão.
Alguns dias se passaram desde o incidente, e ninguém sabia, mas ela já havia começado a arrumar suas coisas.
Ela planejava deixar a academia em breve.
Se antes era por causa do guilda, dessa vez, seu motivo para deixar a academia era diferente.
...era porque a academia a lembrava dele.
Por onde quer que andasse na academia, ela se lembrava de suas conversas e memórias com ele.
Embora poucas, Amanda podia recordar vividamente cada interação que teve com ele. Até as pequenas que teve durante as aulas ou pelo campus.
Apesar de ter testemunhado a morte de Ren bem diante de seus olhos, Amanda ainda não conseguia entender a situação.
Nesse ponto, ela estava quase anestesiada pela dor de ter alguém em sua vida desaparecendo.
Sim.
Importante.
Foi somente depois que Amanda testemunhou a morte de Ren que percebeu seus sentimentos por ele.
...ela gostava dele.
Não sabia quando, mas em algum momento, começou a ansiar por ele. Todos os dias, uma pequena parte dela antecipava as aulas e os ensinamentos. Aqueles que o tinham presente.
Apenas as coisas casuais que ele fazia, como se encolher sempre que a atenção da classe estava nele, ou quando ele batia aleatoriamente na cabeça de Kevin para conseguir uma reação dele.
Todos aqueles momentos estavam profundamente gravados na mente de Amanda.
No começo, unfamiliar com esse tipo de sentimento, ela não conseguia entender o que estava sentindo. Mas agora ela sabia.
...e a realização era dolorosa.
Uma que mais uma vez fechou seu coração completamente.
Tok, tok—
"Senhorita, está na hora."
Interrompendo Amanda, estava seu assistente, Maxwell.
"O carro está esperando por você lá embaixo."
"...Já vou."
Levantando-se fraca, Amanda respondeu.
Olhando para o elegante vestido preto em sua mesa ao lado dela, Amanda caminhou até ele calmamente.
Era hora de mais uma despedida.
***
—Clique!
Vestida de preto, Melissa fechou a porta atrás dela.
"..."
No momento em que estava prestes a sair, seus passos pararam. Virando-se, ela olhou para o quarto ao lado do seu.
Agora, o quarto já estava vazio. Tudo que pertencia a Ren já havia sido levado por seus pais um dia antes.
'...ele realmente se foi, né.'
Desde que o conheceu, ela desejou nada além de sua morte.
...mas agora que ele realmente morreu, ela se sentia perdida.
Talvez porque nunca tivesse falado com mais ninguém além dele, a morte dele atingiu Melissa mais forte do que ela esperava.
Isso a pegou de surpresa.
Nos últimos dias, ela não conseguiu se concentrar como antes. Cometeu muito mais erros do que normalmente faria.
"Haa..."
Fechando os olhos levemente, Melissa exalou antes de murmurar.
"O que há de errado comigo."
Virando-se, ela saiu.
***
17 de julho.
Dois dias após o trágico incidente. Era um dia claro e ensolarado na cidade de Ashton. Um dia que contrastava completamente com a atmosfera sombria que pairava sobre toda a cidade.
Dentro de uma casa funerária.
"Waaaahh...Whaaaaa..."
Várias pessoas estavam ao lado da sala. Um grito agudo ecoava por todo o ambiente enquanto uma jovem chorava diante de uma moldura de foto. Seus olhos estavam vermelhos e mucos escorriam de seu nariz. A cena era de partir o coração para qualquer um que estivesse assistindo.
"Bwuddar!"
Era Nola.
Ao lado dela, sua mãe e pai faziam o possível para consolá-la.
Mas.
"Waaaahh...Whaaaaa..."
Não importava o quanto tentassem, o choro não parava. Foi apenas depois que alguém usou um feitiço de sono nela que ela parou de chorar.
Ao lado, Emma, Jin, Kevin, Amanda, Melissa, Leo, Ram e Donna estavam todos ao lado. Olhando para a foto de Ren no meio da sala.
Todas pessoas que Ren influenciou ao longo de sua vida.
Para alguns, ele foi um melhor amigo, para outros, foi outra coisa. Um parceiro de negócios, um estudante, um amigo e a pessoa que mudou suas vidas.
Inconscientemente, sem que Ren soubesse, para melhor ou para pior, ele influenciou a vida de cada pessoa presente na sala.
Ouvindo os hinos fúnebres, todos abaixaram a cabeça.
Por cerca de trinta minutos, ninguém falou. Todos lamentaram a morte de Ren.
Naquele dia, para o mundo, Ren Dover estava oficialmente morto.
*
"Haaa..."
Olhando para o céu azul, Kevin exalou. Com o funeral chegando ao fim, Kevin decidiu sair para respirar um ar fresco.
Sua mente estava uma confusão.
Apesar do que Emma lhe dissera momentos antes do funeral, Kevin ainda não conseguia se levantar. Ele sabia melhor do que ninguém o que havia acontecido naquele dia.
Se ele não tivesse se fixado na ideia de salvar aquelas oito pessoas e tivesse saído diretamente com Ren, nada disso teria acontecido.
Esse pensamento estava o consumindo por dentro.
"Como você está, Kevin?"
"Senhorita Longbern?"
Interrompendo os pensamentos de Kevin, uma voz familiar o tirou do devaneio. Era Donna.
"O que você está fazendo aqui?"
"Eu estava te procurando."
"Eu?"
'Por que Donna estaria me procurando? Aconteceu alguma coisa?', Kevin se questionou.
"O que você precisa de mim?"
Depois de pensar um pouco, Donna soltou um suave suspiro.
"...Acho que sei o que pode ter resultado na morte de Ren."
"O quê!?"
Chocado, a voz de Kevin subiu alguns tons.
Pondo o dedo nos lábios, Donna gesticulou para Kevin abaixar a voz.
"Shhh...abaixe a voz."
"Ah, desculpe."
Percebendo seu erro, Kevin se desculpou.
"...O que você tem?"
"Aqui, veja isso."
Estendendo a mão, um celular apareceu na mão de Donna. Pegando o celular, Kevin inclinou a cabeça para o lado.
"Um celular?"
"Espere um segundo."
Pressionando a tela do celular, um vídeo apareceu.
"Veja e me diga se você também notou algo estranho."
"...claro."
Pressionando o botão de play, Kevin começou a assistir ao vídeo. No vídeo, Kevin viu Ren.
"Huh? O quê?"
Mais chocante, ele estava bem perto da saída do domo. Na verdade, ele estava praticamente quase saindo. Além disso, pelo que parecia, ele tinha muito tempo livre para sair.
"O que—"
Kevin parou abruptamente no meio da frase.
Isso porque ele viu.
Bem antes de Ren colocar o pé do lado de fora do domo, ele desapareceu de repente. Substituindo-o estava outro jovem. Kevin o reconheceu instantaneamente. Era Aaron.
"O-que!?"
Os olhos de Kevin se abriram amplamente. Sua boca se abriu e fechou repetidamente. Ele não conseguia entender a situação. Será que o vídeo deu erro ou algo assim?
...mas se deu erro, como Ren apareceu de repente à distância? Isso não fazia sentido.
Ele então voltou sua atenção para Donna.
"O que é isso!?"
"...Como você pode ver. Suspeito que a morte de Ren não foi um acidente."
"I-isso..."
Mais uma vez, ao reproduzir o vídeo, o sangue de Kevin começou a ferver.
Sua respiração estava lentamente se tornando irregular. Um tom vermelho aterrorizante começou a envolver seu corpo.
"Aaron!"
Ele cuspiu venenosamente enquanto encarava o jovem no vídeo. Quanto mais assistia ao vídeo, mais convencido estava de que ele tinha algo a ver com a morte de Ren.
"Khhh..."
"Kevin."
Despreocupada com a pressão de Kevin, Donna, parada ao lado, falou calmamente.
"Kevin, não aja de forma imprudente. Ainda não temos provas suficientes."
"O que você quer dizer com que não temos provas? Isso é tão claro quanto o dia que ele foi o responsável!"
Kevin explodiu.
O vídeo sozinho era evidência suficiente para provar a culpa de Aaron. O que mais eles precisavam?
Olhando para Kevin, Donna balançou a cabeça.
"Infelizmente, não é suficiente. Isso pode muito bem ser devido a algum tipo de atraso no vídeo. Com a bomba prestes a explodir e todos fugindo, esse tipo de coisa pode acontecer."
"Além disso, mesmo que saibamos que Aaron é quem fez isso, não sabemos como ele fez. Com o apoio dele, também não podemos fazer muito..."
Havia muitas coisas que eles precisavam considerar ao processar alguém por um crime. Neste dia e idade, onde tudo que importava era um apoio, com a quantidade pífia de evidências que tinham, ela não via como fazer Aaron enfrentar um julgamento.
...eles poderiam, é claro, tomar as rédeas e tentar matar Aaron diretamente, mas isso seria arriscado demais no momento.
Especialmente porque ele agora estava cercado por seguranças. Além disso, se descobrissem que foram eles que mataram Aaron, estariam em grandes problemas.
Não podiam ser imprudentes com isso.
"Então, vamos apenas deixá-lo escapar assim? Vamos ignorar completamente o fato de que ele matou Ren!"
Kevin elevou a voz.
"Acalme-se, Kevi—"
"Como você pode me pedir para me acalmar!"
Neste ponto, Kevin estava praticamente gritando. As pessoas ao seu redor o olhavam estranhamente, mas ele não se importava. Suas emoções estavam instáveis.
"Por favor, ouça-me, Kevin."
Os olhos de Donna brilharam ligeiramente.
Kevin, que estava prestes a gritar novamente, parou.
"Haaa...haaa..."
Fuzilando Donna com o olhar, ele respirou pesadamente. Um sorriso amargo surgiu no rosto de Donna.
"Kevin, ouça-me com atenção. Eu definitivamente não vou deixar Aaron escapar tão facilmente, isso é certo." A voz de Donna de repente se tornou grave. "O único problema é o apoio dele. Não é algo que possamos enfrentar no momento."
"...Então o que devemos fazer?"
Calmando-se um pouco, Kevin perguntou suavemente.
Se não podiam fazer nada agora, o que poderiam fazer? Havia realmente nenhuma outra opção?
Olhando para Kevin por um bom minuto, Donna fechou os olhos. Depois de um tempo, parecendo ter tomado uma decisão, ela disse.
"...Entre para a união."
"A união? O quê—"
"Por favor, ouça."
Donna levantou a mão e começou a explicar.
"Se você realmente quer fazer Aaron pagar por seus crimes, a melhor opção seria você entrar para a união. Com seu talento, entrar na união não deve ser um problema."
"Mas—"
No momento em que Kevin estava prestes a dizer algo, Donna mais uma vez o interrompeu.
"Deixe-me terminar...só com uma organização como a união te apoiando você pode realizar sua vingança. Já conversei com Monica, e ela está disposta a te aceitar assim que você se formar."
"Enquanto isso, vou ajudar você a crescer e alcançar o topo mais rápido. Somente quando você for realmente forte terá poder suficiente para se vingar por Ren."
Depois de levar muitos fatores em consideração, Donna chegou a essa solução. Era a melhor solução que ela conseguia pensar para Kevin no momento.
Com o apoio da União, Kevin seria capaz de se vingar sem problemas. Ninguém ousaria lutar contra a união. Kevin também entendeu esse ponto, por isso não estava falando.
Originalmente, Donna tentara fazer Monica agir, mas suas mãos estavam atadas. Com o recente ataque terrorista do Monólito, a União estava em completo estado de alerta.
Quase todos os membros de alto escalão foram convocados. Monica não era exceção.
Ela estava tão ocupada que não pôde nem comparecer ao funeral de Ren.
"Então..."
Donna fez uma pausa. Olhando diretamente nos olhos de Kevin, ela perguntou.
"....Você está disposto?"