
Volume 3 - Capítulo 591
Abe the Wizard
K3308 nunca tinha imaginado que sua bolsa de portal seria apenas um centésimo do tamanho da bolsa espiritual dor rei orc de um sacerdote. Se soubesse disso antes, poderia ter desmaiado de inveja.
“K3516, essa besta dá muito trabalho?” a voz de K3305 soou suave.
As bestas dos anões eram armas de nível militar, especialmente depois que Abel matou dois magos de elite usando uma. A essa altura, as bestas tinham se tornado o recurso militar mais importante. O valor delas havia disparado vertiginosamente.
Cada besta era regulada pelos anões. Qualquer movimentação não autorizada seria registrada e punida. Uma arma dessas só podia ser usada para a defesa de uma cidade. Essa regra era estabelecida pelos anões a cada compra.
“Não, eu a comprei há muito tempo, então não possui nenhuma regulação!” Abel explicou com um sorriso.
A regulação dos anões era quase inexistente para ele. Se Abel não tivesse prometido manter aquelas bestas de repetição em segredo, ele as sacaria do inventário também. Aquelas coisas podiam recarregar as flechas automaticamente; era conveniente demais.
Os guerreiros de elite Joey e Basil trocaram olhares, e ambos entenderam imediatamente as intenções um do outro. Eles é que deveriam operar a arma. Como arqueiros profissionais, a besta sem dúvida seria muito mais letal nas mãos deles do que nas de um mago.
No entanto, o status da dupla era muito baixo em comparação com aqueles três magos. Eles não tinham nenhum direito de fazer tal pedido. Talvez acabassem precisando esperar até o fim da emboscada para que os magos percebessem a própria falta de habilidade no tiro.
Abel girou a base e armou a corda da besta. Ele encaixou uma flecha perfurante nela. Aquele ponto, a formação de cem orcs estava a apenas quinhentos metros de distância.
Ele girou o pino suavemente, e um estrondo colossal irrompeu da máquina de cerco. Sob seu olhar focado, a flecha perfurante voou em direção aos orcs em uma trajetória incrivelmente reta e estreita.
Aqueles cem orcs começaram a se animar ao notar que havia apenas dois comandantes-chefes erguendo defesas sobre uma rocha maciça. Isso significava que estavam prestes a enfrentar um esquadrão fraco de inimigos.
Se houvesse magos intermediários espreitando entre eles, o exército teria que se preparar para uma batalha de exaustão. Ninguém conseguiria parar um mago intermediário com a reserva de mana cheia.
Os orcs lutavam contra os humanos há incontáveis anos, então ambos os lados se conheciam muito bem. Observando a situação atual com apenas dois guerreiros de elite, era provável que a facção inimiga tivesse enviado no máximo quatro magos iniciantes.
Diferente dos humanos, os orcs não possuíam o Espírito do Milagre para calcular o mérito de guerra por eles. Eles precisavam levar os crânios humanos de volta para que os sacerdotes especializados examinassem as identidades e concedessem o reconhecimento militar correspondente.
Hoje era uma oportunidade rara para a horda. Contanto que conseguissem capturar aqueles comandantes-chefes e magos iniciantes vivos, os sacerdotes sem dúvida os recompensariam com uma quantidade considerável de mérito de guerra.
Comandantes-chefes eram os materiais favoritos das divindades para a criação de guerreiros esqueletos, e os magos iniciantes tinham os crânios perfeitos para a formação de novos xamãs.
A horda estava muito confiante, já que contava com seis homens-urso, a arma de defesa mais implacável do império orc.
No momento, todos os monstros salivavam pela recompensa enquanto avançavam contra aquele pequeno esquadrão de humanos. A formação se desfez em meio à correria, mas nenhum deles se importou muito. Aquela presa parecia fraca demais.
Foi nesse instante que a flecha perfurante de Abel disparou da rocha em direção a um homem-urso montado em seu gigantesco urso cinzento. Aquele orc colossal não esperava que uma arma de cerco surgisse em uma escaramuça como aquela.
Como o homem-urso precisava controlar sua montaria feroz, ele empunhava apenas o machado de batalha na mão direita, mantendo o imenso escudo preso às costas.
Já era tarde demais quando o guerreiro bestial notou o projétil letal voando em sua direção. Embora os homens-urso também fossem naturalmente alertas a ameaças, assim como os outros orcs, aquela flecha era rápida além da conta. Sem o escudo em mãos, ele só pôde usar o próprio machado para tentar desviar a morte iminente.
Homens-urso não eram conhecidos pela velocidade, mas até mesmo um orc ágil, como os cavaleiros de lobo, talvez não conseguisse parar uma flecha perfurante cruzando os céus.
O aço entrou direto no peito do gigante e partiu seu coração em dois. Embora houvesse um cavaleiro de lobo logo atrás daquele homem-urso, nada pôde deter o impacto avassalador.
A flecha varou o cavaleiro de lobo também, sendo finalmente contida ao cravar na madeira de uma árvore gigante nas costas da tropa de orcs.
Quase imediatamente, o homem-urso começou a perder as forças. Seu corpo massivo foi arrastado pelo urso cinzento, deixando um grosso rastro de sangue no chão. Com o coração partido ao meio, a vida esvaiu-se em questão de segundos.
O dia também havia terminado para os dois cavaleiros de lobo na retaguarda. Com a carcaça enorme da vanguarda bloqueando a visão, eles nunca souberam o que os matou.
Os homens-urso se gabavam de ser tão formidáveis quanto comandantes-chefes, mas os corpos deles ainda possuíam uma natureza diferente. A criatura não possuía um núcleo refinado de qi de combate, então nenhuma fumaça espiritual escapou de seus restos mortais.
Essa incapacidade de desenvolver o qi de combate era uma fraqueza clássica. Eles eram abençoados com um físico monstruoso, mas a dádiva também os impedia de transcender os limites através de treinamento estruturado, ao contrário das outras raças.
Ao ver o estrago sangrento, os cavaleiros de lobo perceberam imediatamente o nível do arsenal inimigo.
“Esquivem! Eles têm uma besta pesada!” o grito cortou a horda.
Os cinco homens-urso restantes sacaram seus escudos metálicos e recuaram rapidamente para fora da zona de perigo junto aos ursos cinzentos.
O Comandante-chefe Bodley e o Comandante-chefe Markham ficaram atônitos com a cena. Nenhum dos dois estava preparado para uma virada daquelas, forçando-os a olhar por cima do ombro para a grande rocha às suas costas. O contorno de uma besta gigante reinava ali.
Não havia necessidade de explicações; ambos sabiam que aquilo com certeza era obra daquele mago misterioso, K3516. Nem mesmo um mago abastado como K3308 conseguiria carregar equipamento de nível militar no inventário normal. Algo daquelas proporções exigiria um objeto de portal gigantesco.
“Isso é um absurdo. Três mortes em um único golpe!” ofegou K3308.
Naquele momento, Abel já tinha engatilhado o maquinário e fixado mais uma flecha na calha. A besta estava faminta por outro disparo.
Ele estava irritado com a lentidão da recarga. A corda precisava ser puxada à força bruta e o projétil alinhado à mão. Era um desperdício monstruoso de tempo.
Ainda assim, calculou que conseguiria realizar mais um disparo antes que os orcs recuassem de vez.
Joey e Basil trocaram um sorriso amargo. Tinha sido uma decisão muito sábia calar a boca e não tentar tomar o controle da besta. Mesmo um artilheiro profissional talvez fracassasse em alinhar um abate triplo perfeito, muito menos simples arqueiros de escolta como eles.
Três abatidos com um projétil a quinhentos metros de distância. Os dois guerreiros de elite sabiam o quão insano era aquele nível de precisão, muito mais do que os magos deslumbrados ao redor.
A centena de orcs engatou a ré para fora do alcance fatal. Qualquer sobrevivente das guerras contra humanos sabia exatamente onde terminava a ameaça de uma besta de cerco, então, no instante em que Abel terminou o processo de recarga, o alvo já estava seguro.
Os monstros reestruturaram a formação sob rosnados. A presença dos homens-urso lhes dava esperança; eles não eram alvos indefesos de abate. Em circunstâncias normais, nenhum virote varava o metal reforçado daqueles escudos gigantescos, então tudo daria certo se os tanques se revezassem na dianteira.
Como a artilharia pesada estava nas mãos de três magos e dois atiradores, os dois cavaleiros não se jogaram em uma missão suicida solitária de corpo a corpo.
Após firmarem fileiras, os orcs voltaram à marcha ofensiva. Recuar de mãos abanando estava fora de cogitação, seja pelo mérito de guerra, pela vingança que o sangue clamava ou para manter o sigilo de suas operações no território. No fim das contas, humanos e orcs eram inimigos que se odiavam há eras.
Três homens-urso deram o passo inicial com os escudos erguidos como uma muralha móvel, protegendo o avanço da horda. Os outros dois fecharam a retaguarda, prontos para trocar de turno quando os braços dos primeiros cedessem.
Os cavaleiros de lobo os flanqueavam de perto. Assim que alcançassem o terreno pedregoso, a vantagem da distância ruiria por completo. Na curta distância, a fúria física dos orcs desmantelaria qualquer defesa frágil de pano e carne. Os magos não durariam dois segundos assim que a primeira linha desabasse.
Embora feitiços de magos iniciantes carregassem muito impacto, a reserva de mana escassa era um defeito conhecido pelos invasores. Com cem lâminas e garras ao dispor, a tropa atropelaria os magos humanos como insetos.
“K3516, os disparos conseguem quebrar aquele metal todo?” indagou K3308 com o cenho franzido, os olhos fixos no rolo compressor orc. A essa altura, sua fé no novo recruta era inabalável.