
Capítulo 459
Abe the Wizard
“O mago de elite Lorenzo chegou!”, anunciou o mordomo Edwon em voz firme.
O mago Lorenzo atravessou a porta da frente acompanhado de três magos intermediários, e Abel se adiantou rapidamente para recebê-los.
“Grão-mestre Abel, devo ter sido o primeiro a chegar!”, disse Lorenzo, soltando uma gargalhada. Logo em seguida, ao notar os três magos sentados na sala de estar, completou com um sorriso: “Ou talvez não… eles já estão aqui?”
“Mago Lorenzo, este é meu professor, o mago Morton. E estes dois são seus amigos, o mago Yveline e o mago Murphy”, apresentou Abel.
“Prazer em conhecê-lo, mago Morton. O senhor criou um verdadeiro gênio!”, disse o mago de elite Lorenzo com respeito.
“Sr. Lorenzo, isso é fruto apenas do esforço do próprio Abel”, respondeu o mago Morton, igualmente respeitoso.
“Estes são os meus discípulos que ainda não são renomados. Se conseguirem alcançar nem que seja metade do que o Grão-Mestre Abel conquistou, já ficarei satisfeito!”, disse o mago Lorenzo, apresentando os três magos intermediários atrás dele.
O mago Lorenzo havia ponderado se deveria ou não trazer seus discípulos. Normalmente, em um banquete desse tipo, as pessoas costumavam trazer seus cônjuges. Porém, Abel era um grão-mestre e um mago genial, a chance de interagir com ele era valiosa demais para ser desperdiçada.
Na maioria das vezes, o vínculo entre um mago e seus discípulos era ainda mais forte do que com seus próprios cônjuges ou filhos. Torres mágicas não eram ambientes adequados para pessoas comuns, então, a menos que o cônjuge ou os filhos também fossem magos, o contato acabava sendo raro.
Além disso, magos viviam por muito tempo. As pessoas comuns não conseguiam escapar do envelhecimento, e apenas os discípulos acompanhavam o mago por toda a sua jornada. Para eles, cada discípulo era como um filho.
Por conta dessa proximidade, o mago Lorenzo trouxe seus três discípulos intermediários ao banquete. Se não houvesse uma regra limitando o número máximo de convidados a três, ele certamente teria trazido ainda mais.
“Os magos de elite Nigel, Edington e Allenby chegaram!”, anunciou novamente a voz de Edwon.
Abel franziu levemente a testa ao se lembrar da missão pública do cajado mágico. Ele tinha certeza de que o mago Lorenzo não estava por trás daquela missão.Já tinha interagido diversas vezes com ele, se fosse o caso, Lorenzo teria falado diretamente. Abel lhe devia um favor e jamais recusaria se ele pedisse pessoalmente.
Isso significava que a missão devia ter sido arquitetada por um daqueles três magos de elite. Abel realmente não gostava desse tipo de atitude mesquinha, mas aquele não era o momento de reclamar. Ele precisava manter as aparências.
“Sejam bem-vindos ao meu banquete. É uma honra recebê-los”, disse Abel, curvando-se como um nobre diante dos três magos de elite.
“Grão-Mestre Abel, espero que nossa chegada repentina não o incomode!”, disse o mago Allenby com um largo sorriso, retribuindo a reverência no mesmo estilo.
Quando Abel agia com tamanha formalidade, significava que não havia intimidade. Os três magos de elite também sabiam que não era adequado comparecer a um banquete sem aviso, mas haviam acabado de receber a notícia de que o Reino de St. Ellis cancelou a ordem de captura contra Abel. Se não viessem, talvez não tivessem outra oportunidade de interagir com ele.
Como não constavam na lista de convidados, os três magos de elite não trouxeram acompanhantes. Apenas aqueles mencionados na carta de convite tinham esse direito.
“O jovem mestre Bernie, da Família Goff, chegou!”, anunciou Edwon mais uma vez.
“Por favor, sentem-se. Preciso ir receber meu convidado”, disse Abel aos três magos de elite, curvando-se com um ar de desculpas.
“Vá em frente. Você é o anfitrião, deve estar muito ocupado!”, respondeu o mago Allenby, e os três magos de elite se curvaram juntos.
No instante em que Bernie cruzou a porta, foi direto até Abel. “Grão-Mestre Abel, adiei várias reuniões importantes para vir a este banquete. É melhor você garantir que eu saia daqui de barriga cheia!”
Abel se inclinou e deu um forte abraço em Bernie. “Pode comer e beber o quanto seu estômago aguentar!”
Em seguida, Bernie apontou para os comandantes Burton atrás de si e disse: “Esses desgraçados não pararam de me importunar quando souberam que você ofereceria comida ilimitada. Nenhum deles quer ficar com as sobras, então tive que trazer todos. Se quiser culpar alguém, culpe eles, não a mim!”
“Haha, claro, todos vocês são bem-vindos. Eu deveria ter colocado os nomes de vocês na carta de convite desde o início!”, disse Abel, rindo alto enquanto cumprimentava os seis irmãos Burton com o cotovelo.
“Grão-mestre Abel, nós só queremos beber um pouco do vinho do mestre. O jovem mestre Bernie ficou com tudo só para ele!”, reclamou o irmão mais velho Burton, com um sorriso irritado e estranho.
Os quatro magos de elite ficaram bastante surpresos ao ver o quão próxima era a relação de Abel com o herdeiro da Família Goff. Mesmo sendo um grão-mestre ferreiro, ainda assim seria extremamente difícil interagir com esses anões teimosos.
A amizade dos anões era algo extremamente precioso. Uma vez que reconheciam alguém como amigo, ofereciam tudo o que tinham para apoiá-lo.
Além disso, a Família Goff era especial mesmo entre os anões. Seu forte controle sobre a economia lhes concedia muito mais poder do que às outras duas grandes famílias anãs, quase no mesmo nível da realeza anã.
Os quatro magos de elite sentiram uma profunda inveja dessa amizade. Aquilo era, sem dúvida, um tipo de riqueza em que se podia confiar por toda a vida.
“Grão-mestre Abel, cadê a comida? E o vinho?”, perguntou Bernie, olhando em volta. Para sua surpresa, nada ainda havia sido servido; sobre a mesa, havia apenas alguns pratos de frutas. Ele chegou a pensar que se tratava de um bufê, já que não via vinho algum.
“Bernie, desta vez a comida é um pouco diferente. É melhor consumi-la ainda quente, então só será servida quando a maioria dos convidados tiver chegado. Claro, o vinho também virá nessa hora!”, explicou Abel, balançando a cabeça. Em seguida, virou-se e chamou um criado: “Traga um pouco de vinho. O rum é forte demais, temo que você fique bêbado antes mesmo de provar a comida!”
“Não se preocupe. Nós, anões, não ficamos bêbados!”, disse Bernie em voz alta, acenando com a mão.
Os irmãos Burton lançaram olhares críticos para Bernie. Todos conheciam muito bem seus hábitos com a bebida, e logo a sala foi tomada por risadas.
“O mestre ferreiro Joyce chegou!”, anunciou novamente o mordomo Edwon.
Abel se adiantou com um sorriso. “Joyce, sou muito grato pela sua ajuda desta vez. Hoje à noite, você vai precisar beber bastante!”
O mestre Joyce se curvou e respondeu sorrindo: “Grão-mestre Abel, é uma honra para a União dos Ferreiros poder ajudá-lo. Ouvi de meus amigos anões que seu vinho é o melhor do mundo. Com certeza vou apreciá-lo esta noite!”
“Bernie, aqui está seu bom amigo. Vamos conversar juntos!”, disse Abel, sorrindo ao olhar para ele.
“Mestre Joyce, nos encontramos novamente!”, disse Bernie, curvando-se.
“Jovem mestre Bernie, a honra é minha!”, respondeu Joyce, retribuindo a reverência.
Nesse momento, o criado voltou trazendo um barril de vinho e o colocou sobre a mesa. Quando estava prestes a abri-lo, Bernie o interrompeu.
“Esse é todo meu. Pode ir!”, disse Bernie, acenando com a mão.
O criado olhou para Abel e, para sua surpresa, viu que ele assentia. Assim, fez uma reverência e se retirou.
Logo depois, Bernie falou com orgulho: “Sabe de uma coisa? Esse vinho mestre não pode ser desperdiçado. Então, depois de pesquisar bastante, encontrei algo que funciona muito bem.”
Enquanto falava, ele retirou de sua bolsa espacial algo que parecia uma torneira. Cravou a extremidade afiada no fundo do barril e começou a perfurá-lo.
A mandíbula de Abel caiu. Aquela coisa parecida com uma torneira, vinda de sua vida passada, tinha sido inventada por aquele sujeito. A criatividade de um alcoólatra era simplesmente insana.