Abe the Wizard

Capítulo 449

Abe the Wizard

“Mestre, eu já assinei o contrato e treinei com cada um dos funcionários!”, disse Bartoli a Abel, que estava treinando.

“Ótimo, aqui estão algumas essências frescas de coelho. Leve com você. Pensou em como vai administrar aqueles restaurantes?”

Apesar de Abel raramente se envolver na gestão, ele estava abrindo vinte e sete de uma só vez. Era um investimento enorme para os bens da família, então ele precisava perguntar.

“Mestre, quero administrar todos os vinte e sete exatamente como administro o Recanto Esquecido!”, respondeu Bartoli com uma voz suave.

“Você pesquisou os hábitos de consumo da Cidade de Liante? Sabe quantas pessoas conseguem pagar por esses pratos?”, perguntou Abel com um leve sorriso.

Abel não entendia tanto de negócios, mas tinha experiência. Sua visão era muito mais sólida do que a de qualquer outra pessoa ali.

“Mestre, eu não pesquisei…”, Bartoli abaixou o olhar e fez uma reverência.

“Na verdade, não precisa. A maioria dos nossos clientes são magos. Então, no fim, só pessoas com salário alto vão comer nos nossos restaurantes”, disse Abel, observando a expressão confusa de Bartoli.

“Então o que devo fazer?”, perguntou Bartoli novamente. Ela não esperava que Abel estivesse tão atento ao lado comercial.

“Eu estava pensando em diluir ainda mais a essência de coelho. Servir apenas um quinto da porção usada no Recanto Esquecido e cobrar um quinto do preço também”, disse Abel depois de refletir um pouco.

Aquela essência não era nada barata. Se Abel não tivesse uma criação de coelhos uivante azuis no Mundo Sombrio, e precisasse criá-los por meio de um círculo de coleta de mana, cada porção teria um preço astronômico.

No fim, Abel só estava convertendo aquela quantidade infinita de coelhos uivadores azuis em recursos militares.

“Sim, Mestre!”, respondeu Bartoli após ouvir a recomendação. Para ela, tudo o que Abel dizia era uma ordem.

“O Recanto Esquecido já ganhou fama depois desses eventos. Então dê o nome dele aos vinte e sete restaurantes e transforme-os em filiais”, disse Abel, após pensar um pouco mais.

“Uma filial?”, Bartoli nunca tinha ouvido esse termo e ficou confusa.

“Chame o primeiro restaurante de Recanto Esquecido, filial nº 1, depois filial nº 2, e assim por diante até a nº 27. Assim as pessoas saberão que são filiais do Recanto Esquecido”, explicou Abel.

“Excelente ideia, Mestre. Mas… o que faremos com nossos clientes do restaurante original?”, perguntou Bartoli.

“Não se preocupe, ainda temos os outros quatro quintos da essência de coelho!”, disse Abel com um sorriso.

Sem cerimônia alguma, sem festa, sem celebração, os vinte e sete restaurantes abriram assim mesmo.

A Maga Melinda foi a segunda maga a avançar de nível no Recanto Esquecido. Como sempre, acordou cedo e saiu em direção ao restaurante.

Mas, no caminho, ela avistou outro estabelecimento com a mesma placa do Recanto Esquecido. A única diferença era uma inscrição abaixo, dizendo filial nº 15”.

“Hã? Como assim existe outro Recanto Esquecido aqui?”

Movida pela curiosidade, ela entrou no local. O design e a decoração eram praticamente uma cópia exata do original; parecia até que tinham simplesmente mudado o restaurante de lugar.

Seu olhar então caiu no que ela mais queria ver: o cardápio. Estava no mesmo lugar, com a mesma fonte.

Ovo no vapor — 10 pontos de crédito

Peixe no vapor — 20 pontos de crédito

Porco agridoce — 20 pontos de crédito

Sopa de costela — 30 pontos de crédito

Bife — 20 pontos de crédito

O quê? Como podia ser tão barato?

Para quem nunca tinha comido no Recanto Esquecido, ainda era várias vezes mais caro que outros restaurantes de alto padrão.

Mas, para uma cliente assídua, aquilo parecia bom demais para ser verdade. Seria alguma promoção?

Excitação, alegria e pura felicidade inundaram o coração da Maga Melinda. Ela era rica, mas mesmo assim hesitava na hora de pedir um prato de cem pontos, quanto mais aquela sopa de costela de cento e cinquenta.

Agora, finalmente, podia pedir a sopa que desejava há tanto tempo… e um bife também. Como o restaurante era novo, estava vazio.

Não era preciso esperar na fila, nem observar outras pessoas comendo enquanto ela salivava. Era perfeito. Depois de alguns passos, ela escolheu um assento. Até a cadeira parecia mais confortável. Ela estava encantada.

A Maga Melinda chamou um garçom com uma voz incrivelmente confiante e disse:

“Quero uma sopa de costela e um bife!”

No Recanto Esquecido original, só um mago intermediário teria coragem de fazer um pedido assim.

“Por favor, aguarde!” Logo um garçom se aproximou com um cartão e o colocou diante dela. Essa era a regra do Recanto Esquecido: o cliente pagava antes de comer. Como era tudo muito caro, seria um grande problema se alguém simplesmente comesse e saísse sem pagar.

Após gastar cinquenta pontos de crédito, Melinda se acomodou e esperou. Ela ainda era a única cliente ali, mas sabia que era só porque poucos haviam experimentado o lugar. Se tivessem, pagariam de bom grado.

“Aqui está sua sopa de costela e seu bife. Se precisar de mais alguma coisa, por favor, avise!”, disse o garçom com profissionalismo impecável.

Até a atitude dele parecia melhor que a dos garçons do Recanto Esquecido original. Melinda abaixou a cabeça para olhar os pratos. Eles estavam idênticos. Embora nunca tivesse provado a sopa de costela, ela já havia comido o bife uma vez.

Mas, enquanto apreciava o aroma dos pratos, algo chamou sua atenção.

Por que o cheiro está mais fraco do que antes?

Como maga oficial, ela podia usar a força de vontade para analisar a composição de qualquer coisa que visse. E tinha certeza: o aroma dali estava muito atrás do original.

Ainda assim, não desistiu. Cortou um pedaço do bife e o levou à boca. No instante em que tocou sua língua, percebeu claramente que o sabor que antes a fez avançar de nível havia sido reduzido em quatro quintos

Ela voltou a olhar os preços na parede. Realmente, tudo neste mundo tinha seu preço.

Depois observou a decoração do restaurante novamente. Já não tinha a sutileza discreta do Recanto Esquecido original. Era tudo exagerado, cheio de materiais luxuosos.

E quando olhou para o garçom mais uma vez, xingou mentalmente:

Esse rato de olhos pequenos… até o Mickey parece mais apresentável. Como alguém tão feio pode ser um garçom?

Apesar da decepção, ela já havia pago e não desperdiçaria comida. Então baixou a cabeça, resignada, e começou a enfiar grandes garfadas na boca. Depois de provar o Recanto Esquecido original, aquele sabor reduzido só despertava ainda mais desejo pelo verdadeiro

Em seguida, tomou um gole da sopa de costela. Ainda era incrível. Ela finalmente se acalmou, e seu apetite se abriu de vez depois de experimentar aquele novo prato.

O aroma delicioso do bife e da sopa escapou pela porta e atingiu o nariz das pessoas que passavam. Todas pararam e olharam para o restaurante, esfomeadas.

Pouco a pouco, o cheiro da essência de coelho começou a se espalhar pela Cidade de Liante, atraindo cada vez mais clientes para as vinte e sete filiais do Recanto Esquecido. A essa altura, o Recanto Esquecido era como uma imensa teia esperando por sua presa. Embora os pratos ainda fossem extremamente caros, já não eram tão proibitivos quanto antes. Pessoas minimamente abastadas estavam mais do que dispostas a gastar seu dinheiro para comer em uma das filiais.

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