Age of Adepts

Capítulo 856

Age of Adepts


『 Tradutor: Crimson 』


Na Floresta Negra.

Havia um local que permanecera completamente intocado e ainda não havia sido explorado.

Árvores altas e robustas preenchiam a área, cobrindo a floresta com uma escuridão absoluta sob sua folhagem densa.

A terra negra do solo mal ficava exposta, pois uma espessa camada de fungos e musgos crescia sobre o chão. Naturalmente, havia ainda mais cipós espinhosos, arbustos e vinhas mágicas rastejando por toda parte.

Não importava a hora do dia. Uma fraca névoa negra pairava constantemente sobre o lugar, fazendo com que parecesse uma floresta mágica.

Ainda assim, uma cabana tosca erguia-se abruptamente naquele estranho território sem dono, destoando completamente do ambiente ao redor.

A porta rangeu ao se abrir, e uma bela mulher vestida com túnicas verdes surgiu de dentro da cabana. Em sua mão, ela segurava um cajado misterioso decorado com padrões estranhos.

Ela tinha cintura fina, bela silhueta, traços delicados, longos cabelos verde-claros e orelhas longas e pontiagudas.

Surpreendentemente, essa bela mulher era uma elfa da floresta vinda de outro mundo.

Ao empurrar a porta de madeira, Melinda parou diante da clareira em frente à cabana, com o coração tomado por terror e desespero.

Aquela pequena cabana era sua cela, e a horrenda Floresta Negra era a prisão que a mantinha confinada.

À noite, os uivos e rugidos de todo tipo de besta selvagem e criatura mágica ecoavam profundamente na floresta. Mesmo escondida dentro da cabana, Melinda conseguia ouvir os movimentos das criaturas mágicas rondando o local, graças à sua audição aguçada.

Se não fosse pelo estranho círculo de plantas mágicas ao redor da casa, que mantinha as criaturas afastadas, ela provavelmente já teria sido despedaçada e devorada.

O círculo de plantas mágicas cobria apenas uma área de aproximadamente cinquenta metros quadrados. Assim, o raio de ação de Melinda limitava-se a esses cinquenta metros. Se ela desse sequer um passo para fora do círculo, ficaria frente a frente com as diversas criaturas estranhas e ferozes da Floresta Negra.

Melinda jamais imaginara que isso lhe aconteceria — que, como elfa da floresta, um dia ficaria presa dentro de uma floresta.

No primeiro dia em que fora aprisionada ali, ela tentou se comunicar com as plantas.

Infelizmente, cada árvore antiga e cada erva selvagem daquela floresta apenas lhe devolviam um desejo feroz por carne e uma consciência distorcida, próxima da insanidade.

Se a Floresta Fantástica de Faen fosse como um herbívoro, então a Floresta Negra era um carnívoro brutal. Não eram apenas as bestas mágicas. Até mesmo a grama e as flores daquele lugar estavam impregnadas de uma aura de violência selvagem e descontrolada.

Uma elfa da floresta — membro daqueles conhecidos como os Filhos da Floresta — tinha dificuldade em sobreviver nessa floresta cruel, onde perigo, morte e massacre estavam por toda parte. Mesmo que aquele demônio horrível não tivesse colocado algemas ou correntes em Melinda, ela não tinha para onde fugir. Seu único refúgio era a cabana, onde cuidava diligentemente do estranho “poço lunar” daquele demônio.

De fato, ninguém sabia como, mas aquele demônio aterrador havia plantado um poço lunar bem diante da cabana. A razão da existência de Melinda ali era cuidar do poço lunar e acelerar seu crescimento.

Sempre que a noite caía e a lua cheia pairava nos céus, um único feixe de luar, silencioso e elegante, descia até a cabana e incidia sobre aquele estranho poço lunar. Quando isso acontecia, se Melinda se ajoelhasse diante do poço lunar e orasse com fervor, sua consciência mental retornava vagamente para a Floresta Fantástica.

O cheiro familiar da terra, o aroma conhecido da relva, fadas batendo as asas e tecendo seus caminhos entre as árvores enquanto estas balançavam ao vento, saudando-a…

As vozes claras e alegres de suas companheiras podiam até ser ouvidas à distância.

Era o único momento do dia em que Melinda era feliz!

Desde que o poço lunar fora plantado ali, as raízes estranhas ao seu redor haviam enfrentado problemas com o ambiente e o solo. Elas começaram a murchar e definhar. Foi apenas graças ao uso contínuo de Rejuvenescimento, Purificação do Solo, Crescimento Vegetal e várias outras magias da natureza por parte de Melinda que o poço lunar pôde ser revitalizado.

Foram necessários seis meses para que o poço lunar mal conseguisse se adaptar ao ambiente e voltasse a fincar suas raízes profundamente na terra, absorvendo o poder mágico completamente diferente deste mundo. Após mais meio ano de recuperação e nutrição, esse poço lunar de um metro de profundidade e meio metro de diâmetro finalmente conseguiu reunir uma pequena poça de água lunar clara, de um verde-jade.

Melinda também havia provado essa água em segredo.

Apenas aquele gole de água lunar quase queimara um buraco em seu estômago. Se ela não tivesse conseguido se tratar a tempo, provavelmente teria morrido por causa dessa versão de outro mundo da água lunar.

Melinda ainda era apenas uma sacerdotisa elfa da floresta de Primeiro Grau.

Ela ainda não era capaz de analisar a razão exata da mudança drástica na água do poço lunar com o conhecimento e a compreensão que possuía.

No início, ela temera que aquele demônio desistisse daquele lugar devido à alteração na água lunar. Se isso acontecesse, ela teria de retornar àquela assustadora torre dos adeptos, trancada em uma prisão escura ou aguardando ser escolhida por um adepto e transformada em uma daquelas malditas elfas de sangue ou em um mero objeto de experimento.

Haviam mais de cem elfas da floresta junto com ela quando os adeptos as sequestraram. No entanto, depois de todo esse tempo, já não restavam muitas companheiras capazes de manter sua fé pura e suas belas almas.

Se o demônio não tivesse escolhido Melinda por sua identidade como sacerdotisa, ela provavelmente não teria escapado do mesmo destino que suas companheiras.

E aquele demônio… aquele demônio era, na verdade, um jovem bonito, com uma aura sábia e poderosa, além de um charme perverso. Se desconsiderassem suas identidades e facções, ele teria sido alguém incrivelmente encantador para se apaixonar.

Infelizmente, suas identidades, status, facções e crenças eram completamente incompatíveis entre si. Isso enchia o coração de Melinda de arrependimento e tristeza.

Já estava quase na hora em que a noite cairia e a lua cheia surgiria. O demônio logo estaria ali.

Um pouco em pânico, Melinda caminhou rapidamente até um canto da clareira. Um estranho poço de madeira estava ali.

O poço de madeira se projetava cerca de meio metro acima do solo, envolto por vinhas e galhos verdes. Essas vinhas não cresciam naturalmente; estavam incrustadas junto aos padrões entalhados na madeira do poço, projetando-se levemente para fora, parecendo tão vivas e viçosas quanto vinhas reais.

Talvez por sentir a aproximação de Melinda, as vinhas e galhos ao redor do poço lunar também se tornaram ativos. Vários botões floresceram, e uma fragrância perfumada se espalhou pelo ar. Pela primeira vez, a floresta mortalmente silenciosa tornou-se um lugar lindo e pacífico.

Melinda ajoelhou-se suavemente diante do poço lunar. Segurou seu cajado da natureza com uma mão e acariciou o poço com a outra, enquanto murmurava em voz baixa, cantando repetidamente louvores e preces à Deusa da Lua.

Ninguém soube quando aconteceu, mas um fino raio de luar silencioso e elegante atravessou o dossel e caiu dentro do poço.

Um poder estranho e misterioso ondulou dentro do poço lunar à medida que Melinda continuava a orar devotamente e a entoar louvores à Deusa da Lua. Vários belos fluxos de luz começaram a deslizar pelas paredes internas do poço. Se alguém observasse com atenção, perceberia que essas luzes eram formadas por minúsculas runas.

Uma densa cortina de poder da natureza se espalhou para fora. Parte dela estimulou as raízes do poço lunar a continuarem crescendo; outra parte infiltrou-se no solo e no ar, alterando o ambiente ao redor do poço. Uma terceira porção reuniu-se dentro do poço, condensando-se em gotas de um líquido verde que continha uma aura mágica peculiar.

No momento em que Melinda caiu em um estranho estado de transe entre meditação e alucinação, uma explosão de fogo irrompeu em um canto da clareira.

O fogo surgiu e desapareceu com a mesma rapidez.

Quando eclodiu, não causou qualquer dano às plantas ao redor. Na verdade, sequer despertou a sacerdotisa elfa, ainda imersa em sua oração.

Quando as chamas se dissiparam, a figura alta e elegante de Greem apareceu no local.

Aquela cabana era um de seus experimentos mágicos, criada para demonstrar os efeitos maravilhosos do poço lunar como uma instalação mágica dos elfos.

A julgar pelos resultados atuais, aquele era o único local que havia tido sucesso. Os outros dois haviam fracassado.

Naturalmente, havia muitas possíveis razões para os fracassos, mas a mais suspeita de todas era a identidade de Melinda como sacerdotisa.

Ela era a única sacerdotisa elfa que havia sido sequestrada de Faen. Os outros dois locais estavam sendo cuidados, respectivamente, por uma maga elfa e um druida. Eles também possuíam magia da natureza como Melinda, mas, infelizmente, seus poços lunares haviam murchado pouco a pouco.

É claro que o experimento com Melinda não podia ser considerado um sucesso completo.

De acordo com uma amostra que Greem havia coletado, a água lunar produzida ali era completamente diferente, em essência, da água lunar do Plano de Faen.

Segundo a análise do Chip, a concentração da nova água lunar era 230% maior do que a da água lunar de Faen.

Isso significava que qualquer adepto que bebesse essa nova água lunar teria o equilíbrio de elementium em seu corpo desestabilizado pela aura mágica, fazendo com que seu poder mágico entrasse em descontrole.

A nova água lunar não era apenas incapaz de salvar vidas — era um veneno mortal e letal.

No entanto, devido à natureza única dessa nova água lunar, era possível obter uma estranha essência mágica se a água passasse por um processo especial de extração.

Essa essência mágica era uma forma em pó da essência do poder mágico. Tratava-se de um material mágico extremamente precioso na alquimia de alto nível, capaz de conceder a itens mágicos avançados o atributo único de regeneração automática de magia.

Nos mercados de alto nível do Mundo Adepto, cada grama de essência mágica podia ser vendida por dois mil cristais mágicos.

Dada a taxa de produção de água lunar desse poço, era possível extrair até cinquenta gramas de essência mágica por mês.

Naturalmente, as investigações e cálculos do Chip também forneceram a Greem uma nova linha de pensamento.

Se o processo de refino pudesse ser aprimorado, o pó de essência mágica poderia ser refinado ainda mais, transformando-se em Essência Mágica Potencializada. A Essência Mágica Potencializada poderia permitir que pessoas comuns, sem qualquer talento mágico, passassem a possuir poder mágico e dessem o primeiro passo no caminho para se tornarem adeptos.

Era nisso que Greem realmente havia fixado os olhos!

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