
Volume 1 - Capítulo 357
Trash of the Count’s Family
O dragão ancião, Eruhaben, que se dirigia a Cale com um sorriso, estremeceu ao ver a expressão do ruivo.
Cale não se importou quando estendeu a mão para Eruhaben.
— O que você quer?
Eruhaben não sabia o que Cale queria dele. Cale respondeu de volta.
— Ah, você vai fingir ignorância, Eruhaben-nim?
O tom de Cale foi extremamente sucinto.
Cale começou a falar novamente enquanto o dragão ancião lentamente começou a franzir a testa ao ver o tom de Cale que era diferente do normal.
— Por favor, entregue o artefato antigo.
Foi um tom estranhamente rude. Porém, Eruhaben, que fez contato visual com Cale, não reclamou do tom.
Em vez disso, respondeu com uma expressão calma.
— Artefato antigo? Você não ouviu quebrar?
— Haaa.
Cale soltou um suspiro profundo.
Eruhaben teve que se esforçar para não recuar depois de ouvir aquele suspiro. Ele pôde ver Cale Henituse olhando para o teto do campo de treinamento antes de olhar para ele.
— Eruhaben-nim.
Cale continuou calmamente.
— Parece que caí no seu truque?
Cale olhou de volta para Eruhaben, que o observava em silêncio.
O artefato antigo.
A água cheia de vitalidade que sai do jarro enchia até a quantidade desejada pelo usuário.
Enchia apenas o quanto o usuário precisava. E se quebraria caso não atendesse aos desejos do usuário.
Isso foi o que o Rei Mercenário lhe disse.
— Não tenho intenção de perguntar por que você não usou o jarro corretamente.
A expressão de Cale continuou calma enquanto Eruhaben começou a franzir a testa cada vez mais.
— Haaa, você—
Eruhaben começou a falar, mas não conseguiu continuar. Foi porque Cale o interrompeu.
— O jarro supostamente enche tanto quanto o usuário deseja.
Um passo, depois outro passo.
Cale começou a se aproximar do dragão ancião.
— Esse artefato antigo será inútil em suas mãos agora, Eruhaben-nim.
Mil anos.
Ele era alguém que viveu por muito tempo. Cale não tinha tanto medo desse Dragão, que era o mais longevo da espécie conhecida por ser arrogante e independente.
— É inútil, porque você não deseja viver muito mais.
Um passo.
Cale parou a apenas um passo de Eruhaben, que começou a falar.
— Você tem razão.
Ele não discordou de Cale.
— Esse jarro não vai encher de água mesmo se você o colocar de volta na minha mão.
Eruhaben admitiu que não desejava viver muito mais.
Cale viu que Eruhaben, que empalideceu após a luta contra a Estrela Branca, parecia bem novamente e perguntou de volta.
— É cerca de um ano?
Ele se lembrou do que um Elemental do Vento lhe dissera.
Dizia que Eruhaben havia tomado apenas um gole.
Cale estava perguntando quanta vitalidade havia naquele único gole.
— Sim… Acho que provavelmente viverei por mais um ano.
Um ano.
Isso era semelhante à quantidade de tempo que Eruhaben ainda tinha antes de usar sua energia para lutar contra a Estrela Branca.
Eruhaben determinou que seria o suficiente.
— Derrotaremos a Estrela Branca dentro desse prazo.
O dragão ancião parecia certo de que derrotaria a Estrela Branca dentro desse tempo. Foi também a sua forma de mostrar a sua vontade de que isso acontecesse.
— Mas como você sabia?
Eruhaben estava perguntando ao silencioso Cale como ele sabia o que fez com o artefato antigo.
Ele não sentiu nenhum tipo de feitiço ou poder antigo fora do portão de ferro.
— Isso é importante?
Cale respondeu sem rodeios antes de continuar a falar.
— Há algo que ganhei depois de fortalecer o poder antigo do atributo vento.
Cale disse aos outros que ele havia fortificado o poder antigo do atributo vento, mas não o que essa fortificação implicava.
O grupo não ficou curioso, porque estava mais focado em fazer Cale descansar e comer.
— Posso ouvir as vozes dos Elementais do Vento quando quiser.
— Ah.
Eruhaben acenou com a cabeça.
Ouvir as vozes dos Elementais. Isso não exigia magia nem poderes antigos.
Foi algo que aconteceu naturalmente.
— Os Elementais devem ter te contado.
— Algo parecido.
Eruhaben apenas suspirou ao ouvir a resposta de Cale.
O dragão ancião tentou mudar de assunto para superar a situação, mas a mão de Cale ainda estava estendida em sua direção.
Ele parecia que continuaria assim se Eruhaben não entregasse o jarro.
O dragão ancião começou a falar.
— Você deve ter percebido isso já que lutou contra a Estrela Branca também.
Ele decidiu ser honesto.
— Não sei como você reagiria a um Dragão dizendo isso, mas a Estrela Branca é muito forte.
Ele saberia, depois de enfrentar o Estrela Branca algumas vezes.
Saberia o quão forte é a Estrela Branca. Saberia se seria capaz de vencer.
— E ainda tem muita gente que segue a Estrela Branca.
O Arm, a tribo dos Leões e a tribo dos Ursos estavam entre aqueles subordinados à Estrela Branca.
O grupo de Cale não precisava apenas lutar contra a Estrela Branca.
— Então pode chegar um momento em que algumas pessoas ficarão feridas durante as batalhas.
Ganhar uma guerra sem sofrer baixas?
Eruhaben achou que tal ideia era um absurdo.
— É por isso que decidi que seria melhor preservar o artefato antigo para possíveis ferimentos fatais.
Foi uma decisão simples para Eruhaben.
— Eu poderia usar ele e ganhar tempo extra para minha vida.
Ele viveria mais do que deveria. Isso seria bom.
— No entanto, todos vocês ainda não viveram suas vidas plenas.
Cale, Raon e todos os outros. Todos eles precisavam viver tanto quanto deveriam viver.
Seria triste se não pudessem viver toda a sua vida por causa de uma guerra. Mesmo que sacrificassem suas vidas por um bem maior, ainda assim seria triste.
Eruhaben viu que Cale ainda estava com a mão estendida em sua direção e tirou o jarro.
Cale imediatamente colocou o frasco em sua bolsa espacial.
Eruhaben suspirou enquanto observava as ações de Cale.
O jarro não encheu de água mesmo enquanto Cale o segurava.
Não encheu, embora Cale parecesse pálido e devesse estar fraco fisicamente.
Além disso, não foi preenchido, embora Cale precisasse de um corpo mais forte do que qualquer outra pessoa, porque ele podia acabar usando seus poderes antigos com frequência.
Mesmo assim, o jarro não encheu enquanto estava nas mãos de Cale.
Foi porque Cale não queria que ele enchesse.
“Mesmo assim ele me trata tão rudemente?”
Foi por isso que Eruhaben estava cheio de descrença, mas também a razão pela qual ele não usou o jarro em si mesmo.
— Eruhaben-nim.
Foi naquele momento.
Eruhaben pôde ver Cale olhando para ele depois de guardar o pote em sua bolsa espacial.
— Acredito que chegará o dia em que eu devolverei este artefato antigo para você.
Hehe.
Cale começou a sorrir.
— Acho que o jarro estará cheio de água nesse momento.
Eruhaben soltou um suspiro.
O jarro cheio significaria que Eruhaben desejaria viver mais.
— Esse dia nunca chegará…
No entanto, ele teve que ouvir a voz severa de Cale.
— Ele vai.
Cale acreditava que esse dia chegaria.
Ele estava pensando que as pessoas desejavam viver mais quando enfrentavam a morte ou quando estavam extremamente felizes.
No momento em que derrotarem a Estrela Branca.
O momento em que tudo acabará.
No momento em que a paz retornasse, eles poderiam relaxar e suas vidas começariam a se encher de felicidade.
— Tenho certeza de que esse dia chegará.
Cale estava planejando garantir que todos sobrevivessem para ver aquele momento.
— Eu não sei sobre isso.
Eruhaben, que não conseguia ler os pensamentos de Cale, apenas respondeu antes de caminhar em direção ao portão.
Ele precisava mostrar aos outros que estavam do lado de fora do portão que sua aparência havia voltado ao normal.
— Eruhaben-nim.
Porém, havia alguém que não queria que a conversa terminasse ainda.
— Por que não conversamos um pouco mais já que estamos aqui de qualquer maneira?
Cale queria que fossem só os dois por mais um pouco.
— Sobre o que você quer conversar?
Cale apontou para o portão após ouvir a pergunta de Eruhaben.
— Por favor, use magia de barreira à prova de som, apenas para garantir.
— Barreira mágica à prova de som?
— Sim, senhor.
Eruhaben finalmente percebeu que o sorriso havia desaparecido do rosto de Cale.
O dragão ancião já sabia que ninguém de fora estava usando qualquer tipo de feitiço, no entanto, ele lançou um feitiço de barreira à prova de som como Cale desejava.
— Agora ninguém de fora poderá ouvir nossa conversa.
Eruhaben pôde ver Cale finalmente abrindo lentamente a boca.
— Dragões.
Cale pensou na Árvore do Mundo.
Ele se lembrou do que ela lhe havia dito.
Encontre a Água do Julgamento.
Existe alguém com três poderes antigos.
Nenhuma delas era algo que ele pudesse ignorar. Foi por isso que Cale não teve escolha a não ser continuar pensando na última coisa que a Árvore do Mundo lhe disse.
—Encontre os vestígios que os pais do Dragão Negro deixaram para trás.
O dragão negro. Raon Miru.
— Dragões, como os Dragões encontram seus pais?
Cale estava pensando que precisava encontrar os pais de Raon, ou pelo menos os rastros que seus pais deixaram para trás.
— Os pais de um dragão?
— Sim, senhor.
A expressão de Eruhaben ficou estranha.
Isso era algo que ele não esperava.
No entanto, Cale ainda não havia terminado.
Ele também tinha outra coisa para perguntar.
— Você conhece o Castelo da Luz?
— Uma das três áreas restritas?
A expressão de Eruhaben ficou ainda mais estranha depois de ouvir Cale de repente mencionar o Castelo da Luz.
Cale continuou a falar. Ele ainda não havia contado aos outros o que aconteceu nos tempos antigos. No entanto, era hora de revelar parte disso agora.
— A vila dos Assassinos de Dragões fica aparentemente no Castelo da Luz. Você sabia disso?
Cale pôde ver os olhos de Eruhaben se arregalando.
— É onde a vila dos Assassinos de Dragões está localizada? Sério?
De repente, ele sentiu arrepios depois de ver o dragão ancião completamente chocado. A reação foi maior do que ele esperava de alguém que acabou de descobrir algo.
Cale balançou a cabeça lentamente, pensando no que o gigante assustador Cobblestone lhe disse.
— Não tenho certeza, mas as chances disso acontecer são muito altas.
— Ho.
Eruhaben soltou um suspiro.
Cale sentiu ainda mais arrepios ao ver o dragão ancião esfregando a nuca.
Algo estava estranho na reação do dragão ancião.
Ele começou a falar como se respondesse ao pensamento de Cale.
— O Castelo da Luz.
Agora que a Ilha do Vento se foi, o Castelo da Luz era uma das Duas Áreas Restritas.
Eruhaben estava muito familiarizado com aquele local.
— Aquele lugar, embora os humanos provavelmente não saibam muito sobre ele…
Humanos, Elfos, Anões e todas as outras raças provavelmente não sabiam.
No entanto, Eruhaben sabia algo sobre aquele lugar.
Cale e Eruhaben estavam se entreolhando.
— É onde está localizado o túmulo do último Lorde Dragão.
“O quê?”
Os olhos de Cale se arregalaram.
O Castelo da Luz.
A localização mais provável da vila dos Assassinos de Dragões.
Esse era o local do túmulo do último Lorde Dragão.
— O último Lorde Dragão foi alguém que experienciou os tempos antigos e o mundo depois dele.
Eruhaben recordou a informação que ouviu de outros dragões anciões no passado.
O último Lorde Dragão que nasceu perto do fim dos tempos antigos.
Esse Dragão era alguém que experienciou os tempos antigos e o mundo depois dele.
— E a posição de Lorde Dragão terminou com aquele venerado Dragão.
Ninguém poderia assumir o título de Lorde Dragão depois.
— É por isso que dizemos que os Lordes Dragões desapareceram depois dos tempos antigos.
Foi porque nenhum Dragão que pudesse se tornar um Lorde Dragão apareceu depois disso.
Cale lembrou-se do que Eruhaben lhe dissera no passado.
—Ah, diz-se que o Aprisionador de Dragões foi o único amigo do Lorde Dragão.
Cale pensava que a posição de Lorde Dragão perdurava por gerações junto com a linhagem dos Aprisionadores de Dragões e continuavam amigos.
No entanto, ele agora percebeu que não era o caso.
Algo estava estranho.
O último Lorde Dragão que nasceu perto do fim dos tempos antigos.
E o primeiro Assassino de Dragões que foi o único filho a sobreviver à batalha final nos tempos antigos.
Algo que aconteceu há aproximadamente dez mil anos.
Cale percebeu que havia mais nesta história.
“Talvez.”
Em relação ao que Eruhaben disse a ele no passado…
A história sobre como o Lorde Dragão e o Assassino de Dragões eram amigos…
“Poderia ter sido apenas cerca de dois indivíduos.”
O último Lorde Dragão e o primeiro Assassino de Dragões.
A história sobre esses dois poderia ter sido mal interpretada depois de dez mil anos.
Dez mil anos era muito tempo até para os Dragões.
O Castelo da Luz.
Cale começou a falar.
— Vamos primeiro para o Castelo da Luz.
E mais uma coisa.
— Desejo procurar vestígios dos pais de Raon.
Cale percebeu que a expressão de Eruhaben, que balançava a cabeça, ficou estranha.
Ele parecia estar cheio de descrença.
— Cale.
— Sim, senhor.
— Você não sabe como nascem os Dragões, certo?
— Perdão?
— Você não sabe, não é?
“Como eles nascem…?”
Cale respondeu calmamente a Eruhaben, que olhava para ele sem acreditar.
— De um ovo.
Os dragões nasciam de ovos.
Eruhaben suspirou antes de começar a falar.
— Aparentemente levei cinquenta anos para sair do meu ovo.
— Perdão?
“O que ele está dizendo de repente?”
A expressão de Cale continuou estranha.
Essa pergunta repentina foi estranha, mas dizer que ele levou cinquenta anos para sair do ovo? Fazia algum sentido?
“Isso é possível mesmo que este seja um mundo de fantasia?”
— Você se lembra de Olienne? Ele demorou cinco anos.
Agora ele estava dizendo que um dragão diferente levaria apenas cinco anos.
Eruhaben continuou a falar enquanto olhava para Cale confuso.
— Então, Dragões. Todos nós temos diferentes períodos de incubação.
Alguns dragões eclodem em um dia, alguns em um mês, alguns em um ano e alguns até levaram dezenas de anos.
Eruhaben não tinha certeza, pois não sabia sobre todos os Dragões nos continentes Oriental e Ocidental, no entanto, tinha certeza de que todos os Dragões tinham diferentes períodos de eclosão.
— Claro, há uma razão para isso. Os Dragões com períodos de eclosão mais longos eram os Dragões mais fortes.
Cale pensou no que acabara de dizer a Eruhaben.
Desejo procurar vestígios dos pais de Raon.
— O garotinho é alguém que se tornará um Dragão muito, muito forte.
Eruhaben continuou com certeza.
— Talvez seja necessário voltar pelo menos cem anos para procurar os pais da criança.
Ele então continuou com uma voz fria.
— Praticamente não há chances deles estarem vivos também. Mesmo os Dragões que são extremamente egocêntricos valorizam seus filhos.
Se pelo menos um dos pais de Raon estivesse vivo, eles nunca o deixariam sofrer naquela caverna daquele jeito.
— Provavelmente é por isso que você está dizendo que quer encontrar vestígios dos pais da criança. Contudo, isso também não será fácil.
A maioria dos Dragões retornava à natureza após a morte.
Se isso acontecesse, seria muito difícil encontrar vestígios.
Cale penteou o cabelo para trás com uma das mãos antes de começar a falar.
— Vamos fazer tudo o que pudermos primeiro.
O desejo de Cale de se tornar um preguiçoso tornou-se um pouco mais forte após o teste do Som do Vento.
A Vila da Super Rocha tinha que ser preenchida com seres vivos.
— Um por vez.
Era por isso que eles fariam isso um por um.
— Vamos dar um passo de cada vez. Faremos isso juntos de qualquer maneira, certo?
Cale sorriu para Eruhaben, que começou a rir ao responder.
— Você está dizendo algo com o qual concordo pela primeira vez em muito tempo, seu desgraçado azarado. Claro, faremos isso juntos.
Cale acenou com a mão ao ouvir essa resposta.
Um redemoinho bateu no portão de ferro.
Clique!
O grande portão de ferro se abriu.
As crianças com idade média de nove anos correram em direção a Cale e Eruhaben.
— Vovô! Humano!
— Vovô, sua pele está linda!
— Você parece melhor! Uau!
Cale passou pelas crianças de nove anos de idade que se aproximavam do dragão ancião com expressões alegres e saiu pelo portão de ferro.
— Hum?
— Humano?
Raon, On e Hong olharam para Cale, mas ele já estava colocando a mão no ombro de alguém.
— Secretário-nim.
— Hum?
Bud respondeu ao repentinamente caloroso Cale com uma expressão desconfiada. Cale sorriu abertamente naquele momento.
— Vovô! O humano está sorrindo como o príncipe herdeiro!
Cale ignorou o comentário de Raon e continuou em tom gentil.
— Entregue o diretório.
O histórico de indivíduos fortes da Guilda dos Mercenários. O diretório.
E então eles visitariam o Castelo da Luz.
Os tempos antigos e a Estrela Branca. A verdade sobre tudo isso.
Cale estava caminhando em direção a tudo isso, bem como ao momento em que poderia acertar a Estrela Branca por trás.