
Capítulo 398
The Book Eating Magician
O tempo passou. Algumas pessoas esqueceram, outras não.
Era uma lembrança do dia em que um meteorito caiu do céu.
O céu noturno envolveu todo o mundo, e parecia que toda a vida chegaria ao fim. Desde dragões até a luz do dia, tudo foi igual diante do meteorito vermelho que despencava.
Fim do mundo—assim que o mito se tornou realidade, ninguém conseguiu resistir e todos tiveram que aceitar o destino. Naquele dia, bebês e adultos eram iguais, um fazendeiro e um mestre de espada eram a mesma coisa, e um humano e um dragão não tinham diferenças. Diante da destruição absoluta, todos os seres vivos baixaram os olhos, com medo de até mesmo olhar para o céu.
Uma lâmina de aura de mestre de espada? Uma magia do sétimo círculo de um grande mago? As habilidades que os humanos talentosos treinavam durante toda a vida não valiam mais do que lixo. Era como se as diferenças entre um coelho, um urso e um tigre fossem irrelevantes diante de uma enxurrada de deslizamentos.
Apenas um mago tentou enfrentar a ruína. Foi como há muito tempo, quando Ícaro desafiou o sol e cruzou o céu. Este mago lutou para impedir a destruição que ainda estava por vir, fazendo seu corpo vivo ultrapassar os limites do planeta.
Então, a espada do deus antigo quebrou, e suas cinco vísceras explodiram.
No entanto, ele lutou sem parar. Lutou sozinho, sem contar a ninguém. Foi como uma esmigalha de ovo batendo contra uma rocha? O mago continuou batendo, mesmo sabendo qual seria o resultado. Finalmente, ficou exausto e foi derrotado. Mas foi revivido ao final.
Como uma fênix renascida das cinzas, ele acabou vencendo a destruição.
Poucas pessoas souberam disso. A grande maioria não soube.
Um mago salvou o mundo. O amanhã não deveria ter vindo.
Os céticos, aqueles que tinham intuição e os que entenderam permaneceram calados—as pessoas que olharam para o céu vermelho e tremiam por uma sensação de inquietação logo esqueceram esse dia. Assim, a vida seguiu. Assim como ontem, alguém morreu hoje enquanto outro nasceu neste mundo.
Seis meses se passaram desde o dia em que o meteorito caiu.
* * *
Novos dias chegavam constantemente ao mundo, como se o fim não tivesse passado de uma etapa. A luta entre Theodore e os Sete Pecados levou a uma transformação dos tempos. Assim como ontem e hoje eram diferentes, hoje e amanhã também eram diferentes.
Primeiro, vamos ver o que aconteceu no Continente Ocidental. Devido às terras vazias de Lairon no centro, começou uma batalha de nervos. Foi difícil conquistar a terra imediatamente após a queda de Lairon por causa dos mortos-vivos que permaneciam no território. Contudo, após a morte de Jerem, a terra ficou sem dono.
-Vou me vingar da perseguição ao nosso povo! O povo nômade atravessou a fronteira oeste de Lairon.
No entanto, os habitantes de Austen e Soldun, que estavam sem terras agrícolas devido a uma longa seca, também começaram a agir. Afinal, uma das maiores e mais férteis regiões do centro foi abandonada sem dono. Qualquer líder de país desejaria a possuía. Já fazem alguns anos que a seca terminou.
Depois de recuperar sua força nacional, Austen declarou sem medo: -Devemos ficar com pelo menos um terço!
Enquanto isso, o rei Elsid de Soldun zombava de seu pedido. Para ele, era ridículo. -Não me faça rir. Foram nossos elites quem eliminaram os mortos-vivos que ficaram em Lairon. Se vocês cobiçam a terra, vou dar uma chance de usarem a mesma cama dos zumbis.
Era uma declaração que não deixava espaço para negociação. Não era como se Elsid estivesse dizendo que Soldun mataria eles? Na aparência, Soldun ameaçava uma guerra. Como consequência, Austen ficou muito irada e logo reuniu o exército para mostrar a majestade do sultão.
Enquanto as nuvens de conflito se espalhavam pela parte central do continente, Meltor ficou horrorizada e informou ambos os países: -Somos os que derrotamos o feiticeiro que destruiu Lairon. Por que vocês estão brigando pela terra?
Os países do centro ficaram atônitos com a afirmação absurda. Poderiam avançar com força, mas o Reino de Meltor era a maior potência que atingira seu auge. Tinha o Mestre da Torre Azul do sétimo círculo, o Mestre da Torre Branca, além do mago de oitavo círculo, Mestre da Torre Vermelha, que possuía linhagem de dragão.
Acima de tudo, Meltor tinha o melhor mago e chefe da Torre, Theodore Miller. Seria difícil para os demais países resistirem por vários dias se Meltor quisesse unificar imediatamente o Continente Ocidental.
Por isso, a guerra foi cancelada pouco antes de começar. No entanto, não houve pausa, pois começaram os acontecimentos no Continente Oriental. Era o rescaldo da devastação causada por Luxúria, a chamada Apocalipse da Luxúria. O império fazia fronteira com todos os países, e a terra era tão vasta que era difícil compará-la a Lairon. Além disso, era complicado para Meltor fazer valer sua força.
Claro que, se Theodore agisse corretamente, poderia destruir todos os invasores e reconstruir o império do meio. Mas, se fizesse isso, não seria diferente de um ditador.
'Preciso unir os remanescentes do império com os youkais liderados por Shuten-dôji para formar uma aliança.'
Era uma jogada diplomática de um país que era fraco diante dos fortes e forte diante dos fracos. Se mostrassem que tinham poder de resistir, o ímpeto dos outros países diminuiria. Se fingissem que não podiam ocupar as áreas periféricas, que agora estavam difíceis de defender, a ganância dos predadores de alguma forma seria satisfeita.
O plano de Theodore foi bem-sucedido. O Novo Reino Central, baseado na família Fairy Dance Lee, ficou com quase metade do território. Diferente da Xia Ocidental e do Reino Bukhae, que avançaram sem ajuda de outros.
'A situação do Continente Oriental ainda não está estável, mas...'
Por ora, Theodore foi forçado a partir sem ver os resultados. Havia algo mais sério do que a reconstrução do mundo, que tinha sido danificado pelos Sete Pecados. Ele atravessou o mar com um movimento espacial até o outro continente. Theodore não podia perder nem um minuto nem um segundo. Caminhou por um corredor familiar com uma expressão rígida.
Pis-pis.
Enquanto seus passos ecoavam, alguém do outro lado do corredor ouviu e levantou a cabeça. Então, olhou para a pessoa que se aproximava com uma expressão de amargura.
"Você está atrasado, minha alma. Demorou mais de uma hora?" Ela bateu no ombro de Theodore antes de beijar levemente sua bochecha. Seus cabelos brilhavam intensamente hoje. Era Veronica, a segunda pessoa mais forte nesta torre de magia e mestra da Torre Vermelha. Seu humor estava mais tranquilo do que antes, enquanto sussurrava: "Acho que houve muito trabalho no Continente Oriental, né? Caso contrário, você não estaria atrasado."
Theodore a beijou e sorriu de lado. "Pois é, e tinha um lugar que eu precisava ir primeiro."
"É alguma coisa importante?"
"Você não precisa se preocupar."
"Você disse a mesma coisa sobre enfrentar aquele meteorito. Precisa dizer se de repente vai morrer, como da última vez."
"Entendo, Becky."
Theodore não tinha mais o que falar sobre esse assunto. Sua alma tinha se fragmentado ao entrar nos Registros Akáshicos para lutar contra a Ira que caía. O problema é que Veronica estava vinculada à sua alma. Assim que Theodore entrou nos Registros, seu coração parou antes de reiniciar. Nem mesmo o contrato do Sete Pecados foi mantido, então sua alma ficou danificada.
Quando a alma de Theodore se desfez ao entrar numa dimensão alguns níveis acima, todos os seus contratos foram rompidos.
'Ainda bem que recuperei a conexão com a Gula, ou teria me arrepedido.'
Pensando nisso agora, era chocante. Se não fosse por sua vitalidade e pela linhagem de sangue de Veronica, ela teria morrido. Quão estúpido seria salvar o mundo e perder sua amada? A temperatura corporal dela, que Theodore sentiu só agora, é ainda mais preciosa.
Após abraçá-la por alguns segundos, Theodore perguntou: "Estou atrasado?"
"Pela minha opinião." Veronica sorriu e carinhosamente bateu na cabeça dele. "Se aquele velhote ainda estivesse vivo, estaria tentando te quebrar a cabeça agora mesmo."
"...Ainda há outros. Como está a Sylvia?"
"Ela está bem. Está com uma leve febre, mas isso é normal."
"Entendi..." Theodore suspirou aliviado e se jogou na cadeira. Era uma expressão que ele não mostrava ao lidar com um dragão, um demônio ou mesmo a Ira.
Veronica percebeu sua expressão e provocou: "Controle a cara. Parece que você foi possuído por um espírito maligno. As pessoas vão entender errado, né?"
"Suspiro... Sei, mas não consigo controlá-la." Isso era diferente das provações que Theodore enfrentou até aqui. "Está difícil pra mim."
Era difícil imaginar que cada pai passasse por isso uma ou várias vezes. Ter um inimigo claro era muito mais fácil. Theodore nem conseguia imaginar o que estava acontecendo na outra sala além daquele porta torta. Não se comparava em nada ao que ele sentira ao lutar contra a Soberba. Quando enfrentou a Ira, esteve desesperado, mas não desistiu. Essa era a primeira vez que sentia uma impotência assim.
Nesse momento...
Porta.range. A porta que continha Sylvia se abriu.
"Ah!"
O mago médico viu os dois mestres da torre ao sair e se curvou. Contudo, Theodore o deteve desesperado: "Sylvia, como ela está? Tem algo errado?"
O mago médico ficou um pouco surpreso com o jeito desesperado de Theodore. Era uma atitude quase de pai que se via em todos os lugares. Ele tinha achado que o Chefe da Torre teria mais compostura, mas sua previsão estava errada. Era diferente do que tinha pensado, o que fez o mago sorrir. Tanto Theodore Miller ser o mago mais forte? Ele também era pai.
"Não se preocupe. Ela está um pouco cansada, mas está bem. E... você deveria ouvir isso do Mestre da Torre Azul."
"T-Tem razão." Theodore corou ao se dar conta de seu próprio comportamento. "Obrigado pelo esforço. Então... Becky?"
"Vou esperar um pouco. Vocês dois devem passar um tempo juntos."
"...Becky, obrigado."
Graças à Veronica recuar, Theodore atravessou o cômodo até onde Sylvia estava. Foram poucos passos, mas parecia o outro lado do universo. Ele quase não conseguiu manter o passo firme.
"Theo, você veio." Sylvia sentou-se numa cama ampla, segurando um cobertor branco.
"Sylvia."
"Sim."
Sua boca não se abriu bem. Theodore silenciosamente deu um passo e depois outro em sua direção. A cuidadora recuou como se soubesse os pensamentos do coração dele. Agora só restavam duas pessoas na cama. Theodore ficou parado, aguardando as palavras de Sylvia. Seu rosto estava um pouco mais cansado do que o normal, mas brilhava algumas vezes mais.
"Theo." Sylvia mostrou-lhe o tecido que se movia levemente. "Veja, é nosso filho."
"...Ah."
Objetivamente falando, era difícil dizer que a criança era bonita. Afinal, como recém-nascido, ela era enrugada e vermelha. Contudo, a visão de Theodore ficou turva. Lágrimas que ele nem sabia que tinha formado começaram a escorrer, caindo como gelo derretido. Nenhuma palavra saiu enquanto ele abraçava seu filho com mãos trêmulas.
'Ahh...'
Ele pensou que tinha nascido para esse momento, o nascimento da criança que herdou o sangue de Theodore e Sylvia. Theodore tinha medo desse momento. Havia mais pessoas que ele precisava proteger, arriscando sua vida. Ele hesitou por um instante porque o peso nos ombros ficou maior.
Porém, neste momento, Theodore esqueceu todas as suas mágoas.
"...Cuidadora," Theodore sussurrou para que a criança que dormia não acordasse, "Dê essa folha para Sylvia num chá."
"C-Chefe da Torre. Com licença, mas essa folha...?"
Mesmo se Theodore fosse o Chefe da Torre, a cuidadora não poderia dar nada a uma mãe recém-parida sem saber qual efeito teria. Theodore sorriu para a cuidadora cuidadosa. "Um broto da Árvore do Mundo."
"Heok!"
"Depressa. A força enfraquece rapidamente longe de Elvenheim."
"U-Entendido!"
A cuidadora se movimentou agitada enquanto Theodore olhava ternamente para seu filho. Um leve som de respiração podia ser ouvido. O corpo minúsculo parecia que iria se desfazer ao ser tocado. Theodore conteve quase por um fio a vontade de abraçá-lo com força ao máximo.
'Abra.' Theodore colocou um dedo indicador nos lábios da criança.
Se ele tivesse vindo direto do Continente Oriental, não teria chegado atrasado. Mas o motivo de parecer atrasado foi para obter 'isto.' Uma gota clara de líquido escorreu do espaço conectado aos seus dedos.
Havia apenas algumas gotas, mas isso era uma quantia enorme na perspectiva de um elfo. Não foi fácil extrair seiva da Árvore do Mundo, que ainda se recuperava, pois eles a consideravam como ancestral.
Mais uma vez, Theodore olhou para o rosto do bebê. Se alimentassem essa seiva, ele cresceria com o amor de todos os elementais e espíritos. De fato, parecia que a cor do bebê melhorara.
"Theo." Sylvia o observou ao lado e estendeu ambas as mãos.
Theodore reprimiu o arrependimento e colocou o bebê de volta nos braços dela. Sylvia beijou a testa do sono e olhou para ele com um olhar profundo, mais amoroso do que apaixonado. Era, definitivamente, o olhar de uma 'mãe.'
"Se você já pensou em um nome, pode me dizer?"
"Hum..."
Ele tinha um. Não era exagero dizer que essa pessoa contribuíra para a vitória de Theodore—a velhice agradável de um homem que sempre rira com energia, mesmo na sua idade. Se possível, Theodore queria que o casamento deles terminasse com o velho levando uma surra. Não, o velho poderia até rir e chorar. Era uma pessoa caracterizada por uma barba branca e um grande bastão.
O nome que Theodore tinha em mente foi inspirado em Blundell Adruncus. "Adellia."
O significado do nome ficou claro para Sylvia assim que ela o ouviu. Seus olhos se arregalaram, como surpresa. Então, ela sorriu brilhantemente. "É um bom nome."