The Book Eating Magician

Capítulo 371

The Book Eating Magician

A magnífica montanha, Hwang Mountain, tinha 3 mil metros de altura e era a barreira que cercava a capital do império do meio. Havia muitos locais difíceis de subir ou descer devido à sua formação, e as estradas que levavam à cidade eram fortemente vigiadas.

Um intruso não identificado era morto na hora. Por mais prestigiosa que fosse sua posição, não podiam evitar uma punição severa se entrassem sem permissão da família imperial.

Theodore colocou o pé em Hwang Mountain e fez uma expressão de desprezo. "...O país é assim mesmo."

Os postos de guarda vazios e os vestígios de soldados dispersos pareciam miseráveis. Não havia manchas de sangue, e não parecia ter ocorrido uma batalha. Provavelmente, haviam invadido o Castelo Geongun por ordem imperial. Lust precisava de mais sacrifícios do que guardas.

Theodore quebrou a porta fechada, sem guardas, e fez um gesto de chamamento. O Theodore de agora não precisava de encantamentos para isso. No instante em que decidiu destruí-la, essa estrutura desmoronou como um castelo de areia diante das ondas.

"Hmm, suas mãos estão quentes hoje. Aconteceu alguma coisa ruim?" Seimei, que o acompanhava, aproximou-se com uma expressão estranha. Theodore não tinha percebido, mas seu modo atual de usar magia estava mais bruto. Percebendo a diferença tardiamente, balançou a cabeça com um sorriso amargo."Não é nada sério. A batalha final está chegando, então deve estar apenas tenso."

"Entendo. Do meu ponto de vista... Não, acho que tudo bem," Seimei tentou dizer algo antes de encarar de lado. "Você consegue lidar. Não é uma história para um velhinho que já morreu."

"O quê...?"

"Não é nada. Você vai perceber por si próprio sem precisar ouvir de mim. Vamos focar no problema que estamos enfrentando agora."

Theodore queria saber mais, mas Seimei subiu a montanha como se não quisesse falar mais. Além disso, era melhor não saber, caso fosse uma história que pudesse atrapalhar o conflito iminente com Lust. Assim, Theodore descartou sua curiosidade. Os dois subiram ao topo de Hwang Mountain e observaram a paisagem abaixo.

"...Ali."

"Sim, aquele é o Castelo Geongun."

Theodore viu pela primeira vez a capital de Geongun e teve que admirar a fortaleza que ficava no centro das forças inimigas. Não se comparava a Belfort, a capital do Império Andras. O esforço e custo de construção, bem como as defesas do castelo, eram inacreditáveis.

Era uma obra fenomenal, como se toda a civilização humana ao longo do tempo tivesse sido comprimida nela.

"O nome do castelo, Céu e Terra, não é mera arrogância... Ele possui uma função absurda. É por isso que não optei por uma guerra total."

Até Seimei, que podia se orgulhar de ter sido o mais forte do leste na época, tinha ficado limitado a colocar apenas um corpo dentro do castelo, e acabou caindo. As sobrancelhas brancas de Seimei se franziram levemente ao olhar para o castelo que lhe tinha causado a morte.

Depois, apontou o dedo indicador esquerdo na direção do Castelo Geongun."Kagutsuchi, perfure."

Não houve tempo para Theodore detê-lo. O feitiço já havia sido concluído quando Seimei proferiu essas duas palavras. Era uma magia de ataque que usava a divindade do fogo. Ao mesmo tempo, um gigante em chamas apareceu e lançou uma grande espada até o castelo.

Kwaaaaang!

Com velocidade e força grandiosas. Após deixar as mãos do gigante, a grande espada chegou ao castelo e causou uma explosão massiva a 15 metros da muralha. Foi um ataque tão poderoso que se percebeu a quilômetros de distância. Estava entre as magias do top 8º círculo.

"...Proteção?"

Mesmo assim, não havia um único dano na barreira translúcida ao redor do fortaleza. O rosto de Theodore endureceu ao ver a proteção que se revelou no momento em que Seimei atacou. Contudo, Seimei não parecia surpreso por seu ataque ter sido tão facilmente neutralizado. A defesa daquela barreira superava até os feitiços supremos.

"Droga! Quantas pessoas terão sido sacrificadas para fazer isso? Pelo menos 800 milhões, considerando a estrutura ineficiente..."

"Seimei."

Theodore impediu Seimei, que tossia furioso, e olhou na direção dele, buscando uma explicação.

Seimei fechou os olhos antes de explicar com expressão gelada: "Como você sabe, quanto mais complexa a estrutura da proteção, maior sua eficiência. Se uma barreira simples consegue bloquear uma força, uma de complexidade dez poderá lidar com dez, talvez vinte. Entende até aqui?"

"Sim."

"Mas se seguir esse princípio, isso não significa que a proteção ficará mais forte indefinidamente. Quanto mais complexas as fórmulas usadas, mais maneiras há de quebrá-las. Portanto, uma proteção precisa, inevitavelmente, encontrar um meio-termo entre esses dois elementos. Aumentar a eficiência ou eliminar brechas? Isso não muda, mesmo no estado supremo."

Embora não fosse uma analogia perfeita, era similar a um mecanismo. Quanto mais complexa a estrutura de uma máquina, melhor sua performance. Mas uma única falha na sua construção poderia ser fatal. Focar somente na complexidade nem sempre era o melhor para a proteção. Mas Seimei achava aquilo repulsivo. "Agora, aqui está a questão."

Qual é o nível da proteção ao redor do castelo neste momento?"

"Não está em um nível excelente?"

"Talvez. Não é assim tão avançado."

A resposta vaga confundiu Theodore. Seimei rangeu os dentes. "O sistema é de nível iniciante, sem fundamentos. A eficiência nem chega a 1:1. É uma barreira lixo que nem um feiticeiro iniciante aprenderia. Essa é a essência da proteção do Castelo Geongun."

"M-Mas! O feitiço supremo não conseguiu passar pela defesa da proteção. Como uma defesa―"

"É simples. Se a eficiência é baixa, é só despejar energia. Aqui neste terreno, há bastante sacrifício."

"...!"

Depois de ouvir isso, Theodore conseguiu entender: o poder de defesa transcendente de Geongun Castle e a base dessa força. Agora ele compreendia o significado das palavras de Seimei anteriormente. Os 800 milhões—ou talvez mais—eram o número de vidas consumidas para criar e manter essa proteção ineficiente.

"...A eficiência da proteção não foi considerada, e esse método foi apenas usado para evitar que ela fosse destruída?"

"Obviamente, sim. É tão idiota que não consigo imaginar uma estratégia de ataque. Se você comparar a proteção a uma parede, quebrá-la equivaleria a remover os blocos. Mas essa proteção é uma pedra, não uma parede. Só pode ser destruída com força."

O problema era que até esse método se mostrava impossível. Era uma pedra feita de mais de 800 milhões de vidas.

Imagine o caso de Lairon. O mago negro lendário Jerem tinha usado toda a população de Lairon como sacrifícios para invocar Nídhöggur. Era uma força parcial, mas suficiente para convocar um rei demônio que ameaçava o mundo material inteiro.

Agora, 30% de um continente estavam focados em uma proteção ineficiente!

'Goetia.'

[Sim, Mestre.]

Theodore calculou sua força máxima e o que aconteceria se eles colidissem com a proteção.

'Com o poder das Oito Jade Magatamas, posso criar sete clones e usar a magia suprema. Posso também invocar a magia de fusão que usa o poder da espada de deus. Calcule a chance de quebrar se eu atacar um ponto só.'

[Entendido.]

A grimório proibido Goetia permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder.

[Menos de 0,105% de chance. É impossível.]

Porém, Theodore prosseguiu sem parar: "Invocar Fafnir e manter seu Apagador por 10 segundos."

[0,312%, a margem de erro é de 0,027%. É impossível.]

"Invocar uma alma superior. Usar uma das magias de Simon Magus."

[0,289%, margem de erro é de 0,012%. É impossível.]

"A deificação de Dmitra. Ela consegue destruir o chão que compõe a proteção e enfraquecê-la?"

[0,138%, margem de erro é de 0,02%. É impossível. Além disso, a deificação de Dmitra só pode ser feita na Grande Floresta, então essa situação é impossível.]

Theodore rangeu os dentes ao lembrar-se desse fato. Por que não chamou Mitra o tempo todo que permaneceu no leste?

Agora, com a árvore mundial sem vitalidade, Mitra sustentava a Grande Floresta. Sua deificação baseava-se na fé dos elfos, podendo exercer o poder de um deus somente na Grande Floresta. Fora dela, ela era apenas um elemental ancestral poderoso.

"...Não é possível furar a proteção frontal."

Seimei concordou com um sorriso amargo. "Isso mesmo. Na minha época, eu conseguia entrar sozinho. Mas parecem ter aprendido a lição. Minha mãe, que só se interessa por acasalamento, parece ter usad o seu cérebro."

"Talvez o 'grande monge' que está para chegar seja capaz de fazer algo, mas... não acho que haverá uma brecha."

"Tsk, só conseguimos chegar até aqui?"

A expressão 'um sonho distante' veio à mente. A casa onde seu inimigo planejava algo estava bem na frente deles, mas não havia como entrar. Contudo, Theodore balançou a cabeça e negou. Estava pronto para essa frustração."Ainda é cedo para desistir."

"Hoh?" Os olhos de Seimei brilharam e ele respondeu imediatamente: "Parece que você ainda tem uma carta na manga. O que está pensando?"

"É algo simples. Se eles querem ganhar tempo, podemos preparar algo."

"O que você vai preparar?"

"Uma armadilha."

Durante as negociações com Lust, Theodore preparou uma cilada da qual sabia que não haveria como fugir.

A chegada de um demônio celestial...

Ele planejava lançar aquela cerimônia aterrorizante no inferno.

* * *

Depois de subir a Hwang Mountain com Seimei, Theodore começou a preparar uma obra desconhecida. Não haviam muitas opções já que não havia como destruir a proteção ao redor do Castelo Geongun. Reconstruíram um espaço vazio perto da montanha, escavaram um terreno no meio do mato, e instalaram algo na terra.

"Theodore, qual é o propósito dessa estrutura?" Suzuka perguntou curiosa.

Porém, Theodore não respondeu à pergunta.

Havia a possibilidade de alguém ali escapar vazando informações, mas, acima de tudo, as capacidades do inimigo eram desconhecidas. Se conseguissem ler mentes com um olhar... Ficava claro que mais da metade dos planos que Theodore preparava seriam perdidos.

"Estou entediado, então vou ajudar."

"Também vou ajudar. Não prejudique tanto a floresta assim."

"...Aquela elfa, você me disse algo?"

Além disso, os colegas que Theodore trouxe também se voluntariaram a ajudar Suzuka e Nobutsuna. Os guerreiros japoneses, embora não soubessem o significado do trabalho, foram forçados a participar de tarefas simples. Alguns deles eram qualificados como mestres. Uma força de trabalho assim foi rapidamente mobilizada, mudando uma parte da montanha para a forma desejada por Theodore.

Após sete dias e noites de construção, ele passou para a próxima fase.

"Senhores, quero conversar com vocês."

Se um demônio celestial nascesse, Theodore seria o único capaz de enfrentá-lo de frente.

Segundo Glotonaria, o demônio celestial não era um transcendente, mas uma besta que demonstrava poder de combate além da transcendência. Em outra dimensão, subiria ao rank de rei demônio e espalharia sangue e pesadelos por todo lado. Por mais que as pessoas reunidas ali fossem fortes, nenhuma suportaria por mais de alguns segundos na frente dele.

Por isso, Theodore preparou alguns truques.

"Hah..."

"I-Isso é possível?"

"Caramba, eu tenho pena daquele cara chamado demônio celestial. Se fizermos isso, talvez consigamos vencer?"

"...Se a presa for forte, cabe ao caçador montar uma estratégia. Ok, serei a flecha na sua armadilha."

Cada mestre ouviu as explicações por horas e assentiu, admirando ou surpreso com as palavras de Theodore. Se não conseguissem fazer isso, morriam de qualquer jeito. Nobutsuna era obstinado na ideia de luta 1:1 e não estava convencido, mas nada podia dizer contra a estratégia de Theodore, que era muito mais forte.

Alguns dias depois...

Assim que as mãos dos mestres, treinando diligentemente, começaram a agir no tempo certo, um visitante encontrou Theodore. Era um velho numa cadeira de rodas, incapaz de andar. Havia rostos familiares de ambos os lados do velho, então Theodore logo deduziu sua identidade. Taeryun e Taerang estavam acompanhando o idoso à esquerda e à direita.

"Prazer em conhecê-lo, Supremo Monge. Desculpe-me por encontrá-lo neste lugar tão mal cuidado."

Segundo as informações que Theodore tinha aprendido, o Supremo Monge tinha mais de 300 anos de vida.

Quando Theodore demonstrou respeito de acordo com a hierarquia, o monge velho riu em voz antiga: "Haha! Você é tão humilde quanto esses dois jovens, Taeryun e Taerang, disseram. Este velho não tem arrependimentos porque pude conhecer uma pessoa de grande distinção."

"Huh?"

Seu tom parecia como se estivesse esperando por Theodore. Surpreso com aquele significado, Theodore ergueu a cabeça. Os olhos azuis e pretos se encontraram silenciosamente. Não, o silêncio foi apenas uma ilusão de Theodore. Foi como quando o tempo parecia desacelerar ao seu redor, enquanto ele concentrava a atenção.

'Que impressão é essa?'

Por que tive a sensação de já ter conhecido essa pessoa antes? Dentro do seu cérebro confuso, uma luz brilhou. Se tivesse passado mais alguns meses, teria perdido essa lembrança. Como ele tinha tido recentemente um encontro, Theodore conseguiu recordar-se da fonte desse déjà vu. "...Você também esteve no Leste Continental."

Os dois monges ficaram corados diante da falta de formalidade de Theodore.

No entanto, foram interrompidos pelo monge velho, que sorriu e assentiu. "Pode ser um pouco diferente do que pensa, mas sim. Posso falar com você por alguns minutos? Tenho algo a dizer."

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