Volume 6 - Capítulo 525
Salvando o CEO Autoritário
Talvez fosse algo que ele não conseguia contar à mãe, por isso decidiu ir até ela. O instinto materno dela se acendeu, pronta para ouvir. Os dois beberam algumas taças e, de fato, Qie Ranzhe se sentiu mais à vontade.
Ele conquistava facilmente o coração da geração mais velha, mas estava nervoso, principalmente porque se tratava da mãe de Wen Qinxi.
"Eu... ahem... sobre a pessoa com quem estou saindo. É seu filho, e eu gosto dele desde o ensino médio", disse ele, esfregando as mãos suadas nas calças. Como ele ia dizer a uma mãe que talvez eles não teriam netos por causa dele?
A mãe de Wen congelou no lugar, como se tivesse sido mergulhada em um tanque de nitrogênio líquido. Ela engoliu lentamente a bebida na boca enquanto finalmente entendia. Peito plano e algo "embaixo"? Se ele estivesse falando de um cara, o "embaixo" poderia se referir à arma, não ao bumbum.
"Meu Deus! ... Meu Deus! Oh, céus... impossível!", disse ela, com uma expressão de choque total. Qie Ranzhe ia dizer algo, mas a mãe de Wen levantou o dedo indicador, fazendo um gesto para que ele esperasse um minuto.
Ela tomou mais dois goles das pequenas taças. Tinha que ser culpa do filho, certo? Ele devia ter sido quem procurou Qie Ranzhe primeiro. Ela se convencera nos últimos anos de que Wen Qinxi era bom em esconder seus interesses amorosos, mas descobriu que o garoto só era bom em se esconder no armário. A única coisa que ele estava escondendo era a si mesmo.
"Aquele pirralho... argh!... Eu deveria ter previsto isso. Sabe, eu sabia de todas as traquinagens do Dan-er. Ele escondia, mas eu acabava descobrindo, mas o Qinxi...", disse ela antes de tomar outro gole, "...era tão limpo quanto uma batina. Não tinha nada. Nenhuma revista com fotos de nus, nenhuma garota esperando por ele na saída da escola. Nem na faculdade ele ficava horas no celular batendo papo. Como eu não vi? Comecei a achar que ele era tímido e tinha dificuldade para falar com garotas."
Qie Ranzhe deixou-a terminar, mas precisava defender seu amado. Ele não sabia por que Wen Qinxi ficara solteiro por todos aqueles anos, mas duvidava muito que fosse por interesse no mesmo sexo.
"Tia, a senhora está me entendendo mal. Eu gosto dele desde o ensino médio, mas ele nem me notava. Tenho certeza de que... se eu tivesse confessado meus sentimentos no ensino médio, ele teria me rejeitado. Fui eu quem o procurei depois que ele me salvou na Flagship", explicou ele, o humor ficando sombrio a cada frase, ou talvez fosse a bebida o deixando assim.
A mãe de Wen ouviu a confissão honesta do rapaz, boquiaberta a ponto de encher demais sua taça com bebida. Qie Ranzhe teve que pará-la antes que ela esvaziasse a garrafa inteira na mesa. Ele apontou para a garrafa, tirando-a do transe.
Ela bateu a garrafa na mesa com um baque alto e se levantou para pegar algo na gaveta da cozinha. "Então você, hahaha... você está me dizendo que foi você quem gostou dele... desde o ensino médio?", disse ela mexendo nas gavetas da cozinha em busca de algo.
Ela pegou uma faca de açougueiro, que fez um som alto de "shing" ao raspar na porta da gaveta.
Os olhos de Qie Ranzhe se arregalaram, pensando que a senhora ia o esquartejar por "domar" o filho dela.
Ele instantaneamente ficou sóbrio, prendendo a respiração, mas relaxou ao vê-la guardar a faca.
Assim que ele expirou, ela pegou um martelo de carne e o girou algumas vezes, fazendo o coração de Qie Ranzhe entrar em pânico.
Ele seria espancado até a morte por ela? Ele estava prestes a se levantar e escapar enquanto ela não estava olhando, quando ela colocou o instrumento de volta na gaveta.
Ela abriu a gaveta de baixo e sua expressão mudou, como se tivesse encontrado o que procurava. Sem ter certeza do que aconteceria a seguir, Qie Ranzhe permaneceu vigilante, com sua imaginação hiperativa a mil. Quando ele pensou que ela tiraria um machado da gaveta para o cortar em pedaços, ela tirou um álbum azul, escrito "Doce Memórias".
Ela se sentou apressadamente e folheou-o antes de tirar uma foto do dia da escola de Wen Qinxi. "Então... então você está me dizendo que você, você gostou dessa versão do Ah-Qi no ensino médio? Essa versão... você gostou?", disse ela levantando a foto para ele olhar mais de perto.
Ela amava seu filho, mas até ela sabia que a probabilidade dele atrair alguém no ensino médio era zero, mas ali estava um homem bonito de uma família prestigiada dizendo que se apaixonara por uma versão menos atraente de seu filho.
"Sim, gostei", respondeu Qie Ranzhe, olhando para a foto com um olhar terno.
"Sério?", perguntou ela enquanto virava a foto na sua direção. Será que eles estavam vendo a mesma coisa? Será que estavam olhando para a mesma foto?
A mãe de Wen estava obviamente meio alterada, senão teria suavizado a situação, mas aparentemente Qie Ranzhe não parecia se importar. Ele foi resoluto em sua resposta, acenando com a cabeça: "Sim, ele foi meu primeiro amor."
"Uau... só uau", respondeu a mãe de Wen, aturdida, antes de tomar outro gole, "então deve ser amor verdadeiro. Eu não tenho mais nada a dizer... hahaha... é amor verdadeiro."
"Posso?", disse Qie Ranzhe pedindo a foto. Ele não tinha mais fotos de Wen Qinxi no ensino médio e adoraria guardar aquela. A mãe de Wen passou a foto enquanto o observava seriamente.
Era um fenômeno incrivelmente estranho. Seu filho havia conseguido encantar um homem a um nível além do normal. Como ela explicaria aos ancestrais da família Wen quando morresse?
Enquanto a mãe de Wen questionava a visão de Qie Ranzhe, Wen Qinxi estava ocupado jogando videogame em seu apartamento. Ele tentara ligar para Qie Ranzhe cinco vezes, mas o homem nunca atendeu. Ele decidiu esperá-lo no apartamento, mas o relógio bateu 19h e ele não estava em lugar nenhum.
Na verdade, foi Wen Danzhe quem chegou primeiro em casa. Wen Qinxi tirou os fones de ouvido e perguntou: "O que você está fazendo aqui de novo? Você não está dormindo no seu dormitório?"
"Enquanto ele estiver aqui e não tiver feito o que combinamos, eu ficarei aqui. Ficarei aqui pelo tempo que for necessário", respondeu Wen Danzhe em um tom imperativo, como se não houvesse espaço para negociação.