Volume 4 - Capítulo 368
Salvando o CEO Autoritário
Diz o ditado: "quem brinca com fogo se queima, mesmo no inverno", mas Kai Zi parecia nunca ter ouvido falar dele. Se tivesse, não teria se metido nessa situação.
Nunca passou pela sua cabeça que Qie Ranzhe apareceria naquele momento. Se soubesse, teria simplesmente atirado em Su Xin e terminado tudo mais cedo. Só que a índole dele não permitia dar uma morte rápida e fácil àquele inseto.
Ele se levantou lentamente, com um sorriso sinistro no rosto, enquanto batia a arma na coxa, num ritmo constante. Qie Ranzhe trouxera um exército inteiro, que cercou imediatamente a área, cortando todas as possíveis rotas de fuga de Kai Zi.
"Ran-ge, somos amigos desde a infância... não me diga que vai acabar com nossa amizade por causa desse cara, essa víbora?", perguntou Kai Zi, o tom indignado. Era uma pergunta genuína, que ele reprimia no fundo do coração.
Ele estivera ao lado de Qie Ranzhe por anos, e ainda assim não valia nem um fio de cabelo daquele traidor. Só porque Su Xin mudou por alguns meses, a credibilidade dele foi pisoteada em um instante. Isso não fazia sentido para ele, por isso ele tinha que perguntar.
O tempo todo, Qie Ranzhe só tinha os olhos em Su Xin, com uma ansiedade constante. Ele queria que Kai Zi ficasse o mais longe possível de Su Xin e precisava elaborar um plano.
Kai Zi também notou a expressão tensa no rosto de Qie Ranzhe, um sinal óbvio de preocupação. Ele soltou uma risada autodepreciativa, que quase pareceu louca. Como um paciente mental em um filme de terror, sua risada desapareceu abruptamente, substituída por uma expressão escura como o fundo de um pote de carvão.
"Você só vê ele... mesmo agora, você só consegue ver ele. Droga!", xingou Kai Zi antes de começar a andar de um lado para o outro como se tivesse perdido a cabeça.
"O que tem de tão especial nesse monte de lixo? Por que você não me vê? É porque eu não posso dar à luz...? É isso...? Responda-me!", desabafou Kai Zi, enquanto apontava a arma para Su Xin, inconsciente.
Qie Ranzhe não respondeu, prendendo a respiração. Ele estava se culpando por aquilo. Ele deveria ter trancado Su Xin desde o início. Do momento em que Su Xin fugiu para lidar com Su Long sozinho, ele deveria tê-lo trancado e não ter escutado o conselho da mãe.
Quando foi traído pela primeira vez, ele quis trancar Su Xin e domá-lo, mas sua mãe disse que não se pode prender alguém para fazê-lo gostar de você. Esse mesmo conselho se estendeu ao dia em que Su Xin foi emboscado junto com sua mãe. Enquanto a consolava, ele sugeriu confinar Su Xin na Mansão Qie com seguranças o seguindo.
Ele só permitiria que Su Xin saísse com ele, mas sua mãe rejeitou fortemente a ideia, dizendo que até uma lebre morde quando encurralada. Ele não conseguia deixar de pensar dessa forma. Ele era apenas um homem egoísta que não queria perder sua joia preciosa.
Agora, ele se arrependia. Ele se arrependia de ter escutado uma mulher cujo marido foi morto a tiros, apesar de não ter nenhuma ligação com o submundo. Isso mesmo, o pai de Qie Ranzhe era um homem simples que amava pintar, mas foi morto como vingança contra seu cunhado, que tinha laços profundos no submundo, o falecido líder de Hei Xue, o tio de Qie Ranzhe.
Esse era um dos maiores arrependimentos de Hei San, então, antes de partir deste mundo, ele instruiu Qie Ranzhe a limpar sua organização para evitar mais derramamento de sangue. Se sua mãe não conseguiu proteger seu pai, por que ele a ouviu?
O conselho dela? Quanto mais ele se afundava nesse caminho sombrio, mais falha era sua lógica.
"Kai! Zi! Sai dessa, para de encher o saco!", gritou Qie Ranzhe, avançando, seu olhar glacial cheio de indiferença, como se estivesse olhando para um estranho.
Kai Zi empunhou sua arma e mirou em Qie Ranzhe com uma expressão de pânico. Ele lambeu os lábios secos de ansiedade e gaguejou: "N-não ch-chegue mais perto. Ran-ge, vou acabar com nós dois se você continuar se aproximando...", mas ele nem sequer conseguiu completar sua ameaça, porque o peito de Qie Ranzhe fez contato com a coronha da arma. Ele queria ir até o fim, mas hesitou.
Seu momento de fraqueza lhe custou tudo, porque foi nesse momento que Machu atirou nele bem no traseiro. "Puta que pariu.... AAAAAAHHHHH! Você me atirou, seu filho da puta!", xingou Kai Zi, rolando no chão com uma careta.
Todos, "..."
A sobrancelha de Qie Ranzhe se ergueu enquanto ele encarava Machu com uma expressão vazia. Machu deu de ombros e disse: "O quê?... Achei que ele ia te matar", antes de guardar sua arma.
"Então você me atirou na bunda? Aaaahhhh... te odeio, Machu", reclamou Kai Zi, enquanto Qie Ranzhe chutava a arma para longe.
"Só coloca o Xin-er no carro e chama um médico para examiná-lo", disse Qie Ranzhe a Machu antes de se abaixar na frente de Kai Zi.
Machu se sentiu injustiçado, então expressou suas queixas enquanto caminhava até Su Xin. "Ele disse que eu não deveria te matar, então eu tive que escolher a parte mais carnuda e menos letal", disse ele antes de chamar um grupo de homens para carregar Su Xin. Um dos homens acidentalmente colocou a mão na bunda de Su Xin e sentiu uma pressão fria se acumulando atrás dele, apesar de ser uma noite de verão quente.
Irritado, ele olhou para trás, apenas para encontrar o olhar feroz de seu chefe, que o fez quase largar aquela batata quente. Machu também sentiu o olhar arrepiante e o repreendeu: "Ei, olha onde você está colocando as mãos. Tsc, você está cansado de viver? Você tem tantas partes para tocar, toque em outro lugar."
Qie Ranzhe, "..."
"Em outro lugar, meu pé. Me dá ele e carrega o resto", disse Qie Ranzhe, acenando para eles. Ele inicialmente queria lidar com Kai Zi primeiro, mas instantaneamente se transformou em um monstro de olhos verdes assim que alguém tocou seu amado.
"Suspiro... tão difícil de agradar", resmungou Machu, desejando se livrar daquela situação o mais rápido possível.
"Ran-ge, o que você planeja fazer? Você não pode me matar, senão eu vou destruir todo o império que você trabalhou tanto para criar. Só... só fique comigo, okay? E eu não vou te destruir", disse Kai Zi em respirações pesadas e profundas, com gotas de suor frio na testa. Ele ainda tinha as informações comprometedoras sobre as operações de Hei Xue em mãos.
Qie Ranzhe recebeu Su Xin inconsciente e o abraçou em seus braços num estilo princesa e disse: "é uma proposta sensata". Sua resposta fez Kai Zi pular de alegria internamente, pensando que deveria ter feito isso desde o início, mas um balde de água fria foi jogado nele imediatamente depois.
"Mas... infelizmente você não tem mais essa vantagem. Da próxima vez, não use meu aniversário como sua senha", disse Qie Ranzhe antes de cavalgar para o pôr do sol com sua donzela.