Volume 4 - Capítulo 306
Salvando o CEO Autoritário
Qie Ranzhe ficou horrorizado, sem saber o que fazer. Ele sentia o corpo esquentando gradualmente, mas não conseguia afastar Su Xin. Sentindo a familiar sede lhe apertar a garganta, Qie Ranzhe engoliu em seco antes de perguntar novamente: "E Zhao Hua?", olhando para frente, recusando-se a encarar aquele rosto encantador.
"Não gosto", disse Wen Qinxi, dormindo feito um tronco no peito de Qie Ranzhe. Qie Ranzhe havia sofrido muita excitação e decidiu não fazer mais perguntas, para não resgatar sentimentos antigos que estavam trancados a sete chaves há quase uma década.
Wen Qinxi acordou no dia seguinte e encontrou Qie Ranzhe sentado na entrada da caverna com uma expressão inexpressiva. "Acordou?", perguntou Qie Ranzhe com um tom impassível. O homem nem esperou Su Xin responder, levantou-se e saiu da caverna.
"Será que ele acordou de mau humor?", pensou Wen Qinxi enquanto se levantava para alcançá-lo. O cara nem lhe deu tempo para se lavar, saindo feito um foguete, sozinho.
Wen Qinxi rapidamente juntou as mãos e jogou um pouco de água no rosto antes de correr atrás de Qie Ranzhe. Estava prestes a xingar as pernas compridas do homem quando percebeu que estava usando o paletó de Qie Ranzhe. Quando ele havia colocado aquilo nele? Não fazia ideia, mas isso o fez engolir todos os seus palavrões enquanto um sorriso doce se formava em seu rosto.
Qie Ranzhe não proferiu uma única palavra durante o caminho, e Wen Qinxi também não, principalmente porque estava relembrando algumas lembranças doces que compartilhou com Qie Ranzhe nos mundos anteriores. Ele estava tão absorto que não percebeu quando Qie Ranzhe parou de repente, fazendo-o esbarrar nas costas fortes do homem.
Pego sonhando acordado, Wen Qinxi tentou mudar sua expressão para algo impenetrável, mas já era tarde demais. Qie Ranzhe já havia percebido e não tinha intenção de facilitar para Su Xin. "Em quem você estava pensando?", perguntou ele com uma sobrancelha arqueada.
Os olhos de Wen Qinxi ficaram esquivando-se, sem saber como responder àquela pergunta. Se respondesse "você", não ia se meter numa enrascada? Ele não queria ter seu rosto decorado com outra flor roxa, ou pior, ser assassinado naquela floresta desolada. "Eu, hum, eu estava pensando, pensando...", disse ele gaguejando, mas nenhuma mentira adequada lhe veio à mente.
"Esquece, eu não quero saber de qualquer jeito", disse Qie Ranzhe, levantando a mão para impedir o péssimo mentiroso de inventar uma desculpa terrível. "Como está seu nariz... ainda doendo?"
Surpreso com a pergunta, Wen Qinxi não soube o que dizer por um momento. Ele não tinha certeza do que estava acontecendo com Qie Ranzhe naquela manhã. Frio um minuto, quente no outro. "Tão confuso, droga", pensou Wen Qinxi, perplexo.
Qie Ranzhe não teve paciência, então disse: "Só coloque uma bolsa de gelo quando chegarmos na villa", enquanto enfiava as mãos nos bolsos. Os dois ficaram assim por alguns segundos, em um silêncio constrangedor.
"Eu estou...", disse Wen Qinxi, mas foi interrompido quando Qie Ranzhe disse:
"Vamos." Assim, Qie Ranzhe virou-se para ir embora, deixando para trás um Wen Qinxi perplexo, com uma expressão que poderia ser traduzida como "que diabos está acontecendo?".
Os dois não falaram mais até chegarem à villa, que estava em completo caos. Sem dúvida, houve um banho de sangue nas últimas oito horas, com manchas de sangue no chão, buracos de bala nas paredes e janelas quebradas. Machu estava parado do lado de fora do portão, esperando impacientemente Qie Ranzhe aparecer enquanto verificava o relógio constantemente.
A razão pela qual ele não foi procurar seu chefe com um grupo de busca foi porque havia interrogado os homens que haviam forçado Qie Ranzhe a pular da cachoeira. Acontece que seu chefe estava bem e sabia o caminho de casa, então ele sabia que ele apareceria eventualmente. Se Qie Ranzhe não aparecesse nas próximas vinte e quatro horas, ele então despacharia uma equipe de busca e resgate. Apesar de tudo isso, Machu não pôde deixar de se preocupar, razão pela qual estava parado no portão.
Assim que avistou Qie Ranzhe, ficou animado, correndo em direção a ele com um casaco, que colocou sobre os ombros de Qie Ranzhe. "Chefe, nós...", disse ele, mas fez uma pausa ao ver Su Xin seguindo atrás, "Você! ..."
Machu não hesitou em apontar a boca do revólver para Su Xin, pronto para puxar o gatilho a qualquer momento.
Ele descobriu que aquela pequena artimanha foi planejada pela família Su. Se não fosse para pegar Su Xin, por que eles teriam a coragem de atacá-los? O velho Su não podia mais usar Su Yi como herdeiro porque Qie Ranzhe o havia tornado um inútil. Só fazia sentido que o velho tentasse resgatar Su Xin, apesar de ter rompido relações com ele.
Inesperadamente, Su Xin não estava nem um pouco assustado, continuando a andar como se estivesse desafiando a autoridade de Machu. Wen Qinxi estava pouco se lixando, estava exausto demais para se importar.
"Onde diabos você pensa que está indo!", berrou Machu, tirando o seguro de seu revólver, seguido por um clique.
Wen Qinxi não parou e continuou andando em silêncio. Machu estava prestes a disparar um tiro de advertência aos pés de Su Xin, mas uma mão forte agarrou seu braço. Confuso, ele se virou para olhar para Qie Ranzhe, que estava dizendo: "Ele era nosso reforço."
"O quê?", exclamou Machu, guardando a arma enquanto olhava para Qie Ranzhe com suspeita. Ele não conseguia deixar de pensar que seu chefe havia sido enfeitiçado por aquela raposa mais uma vez. Pensando que eles haviam reacendido os sentimentos nos arbustos, Machu o examinou seriamente.
"Chefe, você não pode estar interessado nele, certo? Você esqueceu quem ele é... droga?! Preciso chamar um psicólogo ou algo assim? Não, não, acho que um exorcista faria um trabalho muito melhor", disse Machu enquanto tirava seu telefone. Ele provavelmente estava procurando as informações do exorcista em seus contatos.
Qie Ranzhe tirou o telefone de Machu e disse: "Eu não estou possuído, droga."
"Como você pode dizer isso quando me disse há alguns dias que não vai se divorciar? Se isso não é um sintoma de desenvolvimento de sentimentos, então eu sou uma galinha, droga", declarou Machu enquanto ponderava se um tapa faria seu chefe voltar ao normal? Alguns exorcistas tiram o espírito da vítima com tapas. Lembrando-se de como Su Yi levou uma surra, Machu mudou de ideia.
"Não sinto nada por ele e disse isso porque tenho planos para os negócios legais da família Su. O que pertence à esposa também pertence ao marido, certo?"
Machu acenou com a cabeça, elogiando seu chefe por ser esperto. Qie Ranzhe estava de olho no porto dominado pelo velho Su e, já que o velho ousou provocá-lo, seus dias estavam contados. Com o velho fora do caminho, tudo pertenceria a Su Xin e, com base no questionário da noite anterior, naturalmente pertenceria a ele.
"E os bens do marido?... ai!", gritou Machu depois de levar uma bofetada na cabeça, silenciando-o.