Salvando o CEO Autoritário

Volume 3 - Capítulo 296

Salvando o CEO Autoritário

"O fantasma que você acabou de ver... como ele era?", perguntou Qie Xieling, lembrando-se de alguns livros sobre atividades paranormais que lera no passado. Ele tentava descobrir como se proteger de espíritos malignos. Pouco sabia ele que a pessoa do outro lado da porta era mais problemática que um demônio.

Embora estivesse morrendo de medo de fantasmas, Wen Qinxi preferia lidar com um fantasma a lidar com Qie Ranzhe naquele momento. Um único olhar dizia tudo. Se não fosse por Qie Xieling, ele já teria sido esfolado vivo.

"É... não é um fantasma... seu pai está do outro lado da porta", disse Wen Qinxi, apontando para a porta e abaixando a voz.

Qie Xieling se aliviou ao ouvir isso, mas, pela expressão de Su Xin, seu pai provavelmente estava de um humor péssimo.

Qie Ranzhe, que acabara de levar a porta na cara, apertou os punhos, lutando para conter a raiva. Não seria bom perder a cabeça na frente do filho. A cena poderia ficar violenta e traumatizar Qie Xieling. Ele fechou os olhos, tentando acalmar o furacão que o assolava por dentro. Quando abriu os olhos, parecia um pouco mais calmo, mas as mãos ainda tremiam.

A porta foi subitamente aberta uma fresta, espaço perfeito para um garoto de treze anos. Qie Xieling foi gentilmente empurrado para fora, a mão se recolhendo rapidamente antes que a porta fosse silenciosamente fechada novamente.

Qie Xieling, "..."

Qie Ranzhe, "..."

Parecia quase um aluno do jardim de infância apavorado devolvendo um brinquedo que pegou sem permissão. Qie Ranzhe, que acabara de ser ignorado, resmungou e agarrou o braço de Qie Xieling, levando-o para a sala de jantar para tomar café da manhã.

Qie Xieling queria reclamar e dizer ao pai que planejava tomar café da manhã com Su Xin no jardim, mas, pela expressão sombria de Qie Ranzhe e o olhar apavorado de Su Xin, não era uma boa ideia. Não era hora de agitar as águas paradas.

O clima na mesa do café da manhã era pesado e silencioso, tão carregado que até mesmo Machu escapou assim que entrou na sala. "Esquece, posso ficar sem café da manhã hoje", pensou ele, enquanto se afastava apressadamente.

Qie Xieling queria dizer alguma coisa, mas não sabia por onde começar, diante da expressão taciturna do pai. Só conseguia mexer na comida, comendo pequenas porções, como se estivesse guardando espaço para quando comesse com Su Xin.

Seus atos foram notados por Qie Ranzhe, que repentinamente largou os pauzinhos e perguntou, com expressão séria: "O Su Xin está te maltratando? Não tenha medo... papai vai te proteger". Era a única explicação que lhe ocorria para o comportamento estranho de Qie Xieling. Su Xin definitivamente estava ameaçando seu filho, ou pelo menos assim ele pensava.

Qie Xieling ergueu a cabeça baixa e disse: "Não, não, ele não está... na verdade, ele me ajudou com a lição de casa e...", mas foi interrompido quando Qie Ranzhe disse:

"E você o ajudou a destrancar a corrente."

O culpado abaixou a cabeça, pronto para receber sua sentença. Ele realmente havia ajudido Su Xin, mas se não o tivesse feito, não teriam feito aquele delicioso doce de leite ou brincado no jardim.

"Como você fez isso?", perguntou Qie Ranzhe, antes de tomar um gole de café, com o olhar penetrante fixo em Qie Xieling.

"Com uma chave-mestra, mas... nós fizemos uns docinhos deliciosos", disse Qie Xieling, levantando-se sem dar chance ao pai de responder. Acreditava que, assim que o pai visse os doces que fizeram, entenderia por que deixou Su Xin ir. "Vou te dar um, não, dois", disse Qie Xieling, levantando os dedos, antes de sair da sala.

Qie Ranzhe não disse nada enquanto continuava bebendo seu café, até que Qie Xieling voltou e jogou um recipiente vazio na mesa, fumegante de raiva. Ao ver o recipiente familiar, Qie Ranzhe quase engasgou com o café, derramando um pouco na mesa.

A criança doce e inocente estava tão furioso que gritou: "Quem fez isso? Quem comeu meu doce de leite?", batendo o recipiente na mesa mais uma vez.

O mordomo entrou correndo, com expressão de pânico, querendo ver o que havia acontecido com seu adorável jovem mestre. Qie Xieling havia se transformado em um pequeno monstro, jogando o recipiente perto dos pés do mordomo. "Quem fez isso? Chame todos... quem quer que seja, não vou deixar impune!". O baixinho parecia fofo quando estava bravo, mas o mordomo não ousou levar as palavras de Qie Xieling de ânimo leve. Estava prestes a chamar todos os empregados, mas o culpado decidiu intervir.

"Xieling, não precisa... foi... foi... o Machu", disse Qie Ranzhe, percebendo o quanto Qie Xieling estava furioso. Se soubesse que o doce de leite era de Qie Xieling, nunca teria comido. Os dois eram parecidos e muito apegados às suas coisas. A razão pela qual jogou Machu debaixo do ônibus foi que ele não podia se dar ao luxo de ficar do lado errado de Qie Xieling, especialmente quando estava tentando "despachar" Su Xin.

Assim que ele disse isso, Machu entrou, na hora certa para enfrentar a tempestade. Qie Xieling olhou para Machu com uma aura assassina e perguntou: "Você comeu meu doce de leite?"

Qie Xieling podia ser uma criança, mas aqueles olhos eram tão opressores quanto os de seu chefe, obrigando-o a confessar imediatamente. Completamente ignorando o olhar ameaçador de Qie Ranzhe, ele confessou: "Eu comi um, mas seu pai ali comeu o resto. Juro que estou dizendo a verdade."

Como um palhaço numa casa de horrores, Qie Xieling lentamente virou a cabeça para o pai. Ele não apenas comeu seu doce de leite, como também mentiu sobre isso.

Preso na armadilha que ele mesmo criou, Qie Ranzhe tentou apaziguar a situação. "Filho, é só doce de leite... vou mandar o chef fazer mais. Só não fique bravo com o papai, ok?", mas Qie Xieling permaneceu impassível. "Tá, tá, me desculpa, mas você devia ter colocado um adesivo nele. Como eu ia saber?"

Qie Xieling também achou que deveria ter colocado um adesivo escrito "coma e eu corto sua mão", mas já era tarde demais. A primeira coisa que ele fez com o pai foi comida pelo pai, enquanto ele só conseguiu comer um pedaço. Ele estava furioso, mas também poderia usar isso a seu favor e obter a simpatia de Su Xin. Um plano tão ardiloso só poderia vir do filho de Qie Ranzhe. A maçã realmente não caiu longe do pé.

Optando por um caminho sem vergonha, ele disse: "Você comeu meu doce de leite... uauauau... vou contar", antes de correr escada acima.

Qie Ranzhe, "..."

Machu, "WTF"

Mordomo, "O que eu estou fazendo aqui mesmo?"

Assim que Qie Xieling desapareceu, Machu deu um tapinha no ombro de Qie Ranzhe e disse: "Tsc, tsc, prepare-se para perder o Xieling no divórcio. Ele certamente escolherá ficar com o Su Xin."

"Sai fora", disse o irritado Qie Ranzhe, incapaz de aceitar que havia perdido para Su Xin, "e eu não vou me divorciar, droga!"

Machu apertou os lábios, tentando abafar a risada enquanto observava as costas de Qie Ranzhe se afastando.

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