Volume 3 - Capítulo 289
Salvando o CEO Autoritário
Wen Qinxi não esperava que Qie Ranzhe o lascasse desse jeito. O delicioso frappuccino de mocha estava, sem dúvida, com sedativos. Ele não sabia quanto tempo dormiu, mas quando acordou, não estava mais no jatinho particular. O corpo estava pesado, com uma dor de cabeça latejante que piorava a cada tentativa de levantar a cabeça.
Conseguiu abrir os olhos pesados com grande dificuldade. A luz forte que entrava pelas cortinas o incomodava, então ele rapidamente os fechou, cobrindo o rosto com o braço.
Depois de muito esforço, finalmente conseguiu abrir os olhos completamente para examinar o quarto em que se encontrava. A decoração era completamente diferente do que ele estava acostumado. Tudo gritava "casa vitoriana antiga", especialmente a decoração e os móveis. Ele não conseguia precisar exatamente onde estava, mas isso não importava.
Foi então que percebeu o desconforto do corpo. Ainda estava com as mesmas roupas de antes, e quem o havia deitado na cama nem se deu ao trabalho de tirar seus sapatos. Seu nariz captou um cheiro desagradável, então ele farejou para descobrir a fonte. Depois de cheirar as axilas, sua expressão ficou séria. "Ah... que cheiro nojento, caramba!", resmungou, olhando ao redor. Pensou em procurar o banheiro para se limpar. Foi quando percebeu uma segunda porta.
O quarto provavelmente tinha banheiro privativo, então ele reuniu forças e desceu da cama. Assim que se levantou, ouviu o som de uma corrente rangendo e arrastando no chão. Confuso, olhou para baixo procurando a fonte. Seu coração se despedaçou, e sua expressão caiu ao ver uma corrente de prata em seu tornozelo direito. "Que porra é essa!", gritou, puxando a corrente curioso para encontrar a outra extremidade. A corrente tinha o comprimento de duas portas de tamanho padrão, aproximadamente quatro metros.
Isso significava que sua mobilidade estava limitada àquele quarto e possivelmente a dois passos além da porta. Wen Qinxi sentiu vontade de rir de raiva. Qie Ranzhe estava mesmo cutucando sua ferida nesse mundo. Wen Qinxi bateu a corrente com raiva no chão e se esticou na cama com os braços abertos. Ele não tinha celular e estava acorrentado. Uma situação de refém típica.
Uma surra só não seria suficiente para aplacar sua raiva. A única coisa que o faria se sentir melhor seria fazer Qie Ranzhe ficar parado enquanto ele atirava nele com uma arma de paintball. Ou então, um tanque de imersão cheio de minhocas… melhor ainda, sanguessugas. Ele ia aprontar todas com esse chefe maluco quando saíssem do jogo.
Imaginando Qie Ranzhe sentado no topo de um tanque de imersão aguardando seu encontro inevitável com algumas sanguessugas, Wen Qinxi sorriu bobamente antes de arrastar a corrente para tomar um banho quente. Menos mal que o banheiro era espaçoso, senão ele não sabia como ia se virar com uma corrente.
Sentindo-se revigorado, Wen Qinxi saiu com uma toalha enrolada na parte inferior do corpo e procurou roupas nas gavetas. Enquanto vasculhava as gavetas cheias de roupas monótonas, ouviu o som da porta clicar ao se abrir.
Curioso, virou-se para ver quem era tão gentil de visitá-lo. A porta abriu um pequeno vão, e uma cabeleira fofa espiou por ela, olhando para a cama. Wen Qinxi sorriu ao ver o menino de treze anos que obviamente estava procurando por ele.
O rosto de Qie Xieling caiu ao não ver Su Xin na cama. Nestes últimos dois dias, ele veio quatro vezes e, cada vez, encontrava Su Xin na cama, dormindo profundamente. Ele não conseguia entender por que um adulto dormia tanto, então só podia voltar mais tarde.
Mas desta vez Su Xin não estava na cama. Pensando que o homem havia fugido de novo, seu rosto ficou completamente pálido, sem perceber que Su Xin estava do outro lado do quarto observando-o com grande interesse.
Qie Xieling estava um pouco em pânico, então entrou para procurar seu pai como uma criança brincando de esconde-esconde. O engraçado é que ele até checou embaixo da cama e da mesa, o que era completamente ilógico. Como um homem adulto com mais de 1,85 metros poderia caber embaixo de uma mesa?
Wen Qinxi riu ao observar aquela criança boba. Qie Xieling finalmente percebeu que havia outra parte naquele quarto que ele não havia checado: o banheiro. Com isso em mente, virou-se para ir ao banheiro quando foi recebido por um par de olhos brilhantes o encarando. Qie Xieling congelou no lugar, seu rosto mudando de cor mais rápido que um camaleão. Ficou rosa, branco e rosa de novo, com o corpo preso ao chão, incapaz de se mover.
"Procurando alguma coisa?", perguntou Wen Qinxi com um sorriso gentil que assustou Qie Xieling.
Em vez de responder, Qie Xieling saiu correndo do quarto e bateu a porta com força. Wen Qinxi não conseguiu conter o riso enquanto pegava uma das muitas camisetas brancas da gaveta e a vestia. Até as calças eram da mesma cor e tipo: calças pretas com botões em toda a perna. Isso o fez se sentir como um preso que só podia usar o mesmo tipo de roupa todos os dias.
Wen Qinxi suspirou ao vestir as calças confortáveis, pensando que pelo menos poderia ficar com Qie Xieling. Com aquela criança por perto, não parecia tão solitário. Assim que terminou de se vestir, foi interrompido por uma batida na porta. A pessoa do outro lado nem se deu ao trabalho de esperar que ele a convidasse para entrar.
Quando viu quem era, Wen Qinxi quase gritou de horror. Era a mulher mais feia que Wen Qinxi já tinha visto, vestida com um uniforme de empregada. Wen Qinxi sempre acreditou que não existia mulher feia, para ele, cada mulher era bonita à sua maneira, mas a governanta McPhee ali era bastante desagradável. Deus, até a governanta McPhee ficava bonita quando as crianças se comportavam, o que ele duvidava seriamente que aconteceria com aquela mulher.
O que ele não sabia era que alguém havia substituído a equipe feminina pelas mulheres de aparência mais horrível para evitar qualquer situação entre Su Xin e a equipe feminina sob o teto de Qie Ranzhe. A descrição do trabalho devia ter sido única: candidatas devem ser habilidosas em tarefas domésticas, mas tão feias quanto um peixe-bolha.
Parecia que ela também era paga para ser rude com ele, porque não respondeu à sua saudação educada. Em vez disso, jogou descuidadamente um prato de comida na mesa e trancou a porta ao sair. Sua atitude o fez hesitar em comer a refeição que estava à sua frente.
Ele não descartaria a possibilidade dela ter cuspido na comida. O jantar não era nada especial, com pouquíssimas peças de carne, mas Wen Qinxi não reclamou enquanto se sentava no chão com o prato na mesa de centro. Passou os dedos pelo cabelo e casualmente pegou o controle remoto. Ele podia muito bem se entreter.