Volume 1 - Capítulo 82
Salvando o CEO Autoritário
Qie Ranzhe finalmente se lembrou de onde havia visto aquele sujeito. Era o homem que o chamara, a ele e a Lin Jingxie, de lixo na floresta alguns dias antes. Naquela ocasião, ele não conseguira acertar as contas, mas agora o homem havia caído, que nem fruta madura, diretamente em seu colo. Um sorriso malicioso se abriu no rosto de Qie Ranzhe, que respondeu: "Eu sou a Morte", antes de arremessar uma espada na direção do homem.
Suas palavras abalaram o Príncipe Anzhie até a medula, mas ele fez um ótimo trabalho escondendo isso, conseguindo pegar a espada com sucesso. Qie Ranzhe optou por uma luta de espadas; ele pretendia deixar cicatrizes visíveis naquele bastardo arrogante. Sempre que o homem olhasse para essas marcas, teria que sofrer a dor de saber que havia sido derrotado por um "nada" – um pedaço de lixo.
Qie Ranzhe nem mesmo deu a ele a oportunidade de atacar; o príncipe estava em constante defesa, em vez de ofensiva. Ele recuava constantemente, mas assim que recuperava o fôlego, Qie Ranzhe o atacava novamente. O Príncipe Anzhie levou três golpes, dois no braço e um na coxa, com sangue escorrendo por baixo do tecido. Assim que o Príncipe Anzhie, mancando, recuou após perder sua espada, Qie Ranzhe o chutou ao chão, fazendo-o cair de bruços, comendo poeira na queda.
O príncipe fez uma careta de dor enquanto se sentava, só para ter uma espada encostada em sua bochecha. Seu rosto ficou mortalmente pálido quando percebeu as intenções do garoto. Ele olhou para o homem com seus olhos injetados de sangue, mas teimosamente se recusou a ceder. Esse era o inimigo com quem sonhava todas as noites. O inimigo que roubaria tudo dele. Ele havia vasculhado todo Qingsong atrás daquela concubina idiota e de sua cria maligna, só para o sujeito aparecer do nada. Seu orgulho não permitiria que ele cedesse, e assim os dois ficaram em um impasse, avaliando um ao outro.
Só quando o Velho Chen gritou: "Chega!", Qie Ranzhe enfim embainhou sua espada.
Com uma risadinha leve, ele disse: "Foi uma boa luta", estendendo a mão para ajudá-lo a levantar, mas o Príncipe Anzhie afastou sua mão e se levantou sozinho. O príncipe logo foi cercado por servos que o escoltaram para fora da arena. O Príncipe Anzhie parou seus passos ao chegar ao imperador, seu pai, que disse em tom gentil: "Não se desanime, ainda há espaço para melhorias".
O Príncipe Anzhie quis dizer algo, mas engoliu as palavras e saudou seu pai com grande dificuldade antes de deixar a guilda. Qie Ranzhe ficou para trás, limpando a arena, surpreendentemente de bom humor. Ele mal podia esperar para contar a Lin Jingxie como tinha surrado aquele bastardo. Um membro da guilda de repente veio informá-lo de que o imperador queria vê-lo, enquanto gesticulava para os homens atrás dele.
O membro assumiu o lugar dele, e Qie Ranzhe caminhou, mas a cada passo, seu coração batia descompassado. Ele não estava sozinho; o sorriso do imperador endureceu quando ele observou mais de perto o jovem que lentamente se aproximava. Até os servos que estavam a serviço do imperador não conseguiram deixar de espiar aquele rapaz que se parecia com o imperador em tudo, exceto pela idade.
Qie Ranzhe estava confuso, sem saber como reagir, e fez uma reverência diante do imperador, com os olhos vermelhos e a mandíbula cerrada. "Meili!", exclamou o imperador, enquanto desabava no chão. Os servos tentaram levantar o imperador, mas ele afastou suas mãos antes de rastejar até Qie Ranzhe. Com mãos trêmulas, ele ergueu a cabeça de Qie Ranzhe, com uma lágrima escorrendo pela bochecha.
Toda a sua vida ele amara uma mulher, e essa era a inatingível General Shao Meili. Como ela preferia lidar com sangrentos campos de batalha a com o harém, ela o rejeitou e deixou a capital. Algo inesperado aconteceu enquanto defendia a fronteira sul: a General Shao foi atingida por uma flecha envenenada, deixando-a fraca como uma criança. Temendo que sua filha morresse no campo de batalha, o Primeiro-Ministro Shao a fez voltar para a capital e a casou com o imperador. Finalmente tendo a mulher de seus sonhos em suas mãos, o imperador negligenciou o resto do harém, incluindo a imperatriz, mãe do Príncipe Anzhie.
O Imperador Qie estava cego demais de amor para perceber o perigo iminente. Um dia sombrio, sua amada simplesmente se foi, deixando para trás uma carta para tranquilizá-lo. Ele sabia que Shao Meili odiava fazer parte do harém e supôs que ela tinha partido por vontade própria, como afirmado na carta. O imperador a procurou em todos os lugares, mas Shao Meili simplesmente desapareceu sem deixar rastros.
Os céus pareciam ter pena dele, trazendo-lhe o filho de Shao Meili. Ele abraçou Qie Ranzhe, murmurando: "Obrigado, obrigado, muito obrigado", baixinho.