Volume 1 - Capítulo 8
Salvando o CEO Autoritário
Wen Qinxi passou por quatro das cinco fases do luto deitado naquela margem do rio. O homem simplesmente não conseguia alcançar a última fase, que é a aceitação; de jeito nenhum ele aceitava aquela situação. Ele não sabia se o sistema atrevido tinha alguma coisa contra ele ou se era só azar mesmo.
Pelo menos o sistema foi gentil o suficiente para deixar todas as informações sobre os crimes passados de sua personagem, mas ao começar a ler, ele começou a duvidar se era por gentileza ou apenas mais um "vai se ferrar" do sistema.
Sentindo-se derrotado, ele se levantou enquanto revivia cada crime em sua mente. A cada passo que dava na direção para onde a garotinha tinha fugido, seus ombros caíam um pouco mais. Essa personagem era simplesmente muito brutal, que crime ele não cometeu?
Na primeira vez que encontrou Qie Ranzhe, ele o mandou espancar por capangas simplesmente porque ele não o cumprimentou na rua. E, detalhe, eles tinham apenas sete anos na época.
Qie Ranzhe ficou todo machucado, com costelas quebradas. Se não tivesse o "halo" de protagonista, certamente teria morrido. Lin Jingxie ultrapassou a linha várias vezes, como dar comida envenenada para um dos garotos de Qie Ranzhe. Embora a criança não tenha morrido, os efeitos colaterais foram brutais.
A cada dia ele encontrava maneiras de implicar com Qie Ranzhe e sua gangue, mas uma coisa finalmente levou o protagonista ao limite, culminando na morte do "canhão de núpcias". Um dos garotos mais novos do grupo foi pego roubando remédios de um farmacêutico, o que, infelizmente, foi testemunhado por Lin Jingxie.
O jovem mestre pagou o que o garoto roubou e o levou a uma cachoeira rio acima, pedindo que ele pulasse. Se sobrevivesse, a recompensa seria o remédio para o irmão doente, que estava na posse de Lin Jingxie. Tendo perdido alguns irmãos mais novos antes, o garoto concordou em pular, mas ficou com muito medo e mudou de ideia em cima da hora.
Um Lin Jingxie irritado o empurrou do penhasco, mas foi resgatado a tempo por Qie Ranzhe. O jovem mestre agora estava em menor número e Qie Ranzhe não ia deixar ele escapar impune, então disse a ele para pular ou ele o mataria ali mesmo. Foi assim que Lin Jingxie encontrou seu fim.
Wen Qinxi tinha assistido a algumas novelas "barra pesada", cortesia de sua mãe, mas aquilo era simplesmente muito deprimente. Enquanto arrastava os pés pesados até a cidade, ele encontrou uma multidão de pessoas vindo em sua direção. Entre elas estavam servos da família Lin, que ficaram tão felizes em ver seu jovem mestre são e salvo.
"Jovem Mestre Lin, uauauauau... nós pensamos que você estava morto. O Senhor e a Senhora não dormiram uma só noite procurando por você", disse um velho servo enquanto verificava se Lin Jingxie tinha algum ferimento.
'Esse canalha do Lin Jingxie realmente tem gente que se importa com ele, sendo tão mau?', pensou Wen Qinxi com um sorriso forçado.
Ele nem tinha certeza de que tipo de reação Qie Ranzhe teria ao vê-lo. 'Ele provavelmente vai me acabar', pensou Wen Qinxi enquanto entravam na cidade em direção à Mansão Lin.
Você pensaria que Lin Jingxie era do jeito que era porque sofria abusos em casa ou algo assim, mas o jovem mestre realmente cresceu em uma família amorosa, sem falta de nada. Wen Qinxi só podia imaginar que a personagem tinha algum transtorno mental ou tendências psicopáticas, porque nada mais poderia explicar seu comportamento.
Assim que chegou ao portão da mansão, uma bela mulher baixa o abraçou, chorando copiosamente de alegria. "Jin-er, meu pobre bebê, onde você esteve... uauauauau? Mamãe estava tão preocupada com você", chorou a Senhora Lin freneticamente verificando seu filho.
Ela só parou quando o Senhor Lin apareceu com uma expressão impassível, mas seus olhos o entregaram. Ele estava feliz em ver seu filho de volta em casa, vivo e bem. Ele colocou a mão sobre o ombro de Lin Jingxie e o abraçou por um segundo sem dizer nada antes de guiá-lo para o salão principal.
Wen Qinxi tinha certeza de que esses pais não tinham ideia do que seu filho tinha aprontado, caso contrário, eles o teriam repreendido, especialmente seu pai. O Senhor Lin parecia o tipo de pai militar rígido que não tolerava nenhuma bobagem. Eles se sentaram juntos com os pais de frente para o filho, esperando que ele revelasse os detalhes de onde tinha estado.
Diante de pais preocupados, Wen Qinxi sentiu vontade de chorar. O que ele deveria dizer? 'Desculpe, mãe e pai, eu fui um tirano babaca por anos, intimidando garotos indefesos que finalmente revidaram e me mataram a sangue frio.' Wen Qinxi suspirou internamente, inventando uma mentirinha.
"Desculpe, eu os preocupei, não era minha intenção. Três dias atrás, fui a uma cachoeira para apreciar a vista e limpar a cabeça quando escorreguei em uma pedra e caí até chegar à margem perto da cidade", disse ele, incapaz de inventar uma mentira melhor.
A julgar pela expressão da Senhora Lin, ela parecia acreditar nele, mas o Senhor Lin não era nenhum bobo. "O que você estava fazendo lá sozinho, se você nem sabe nadar?", perguntou curiosamente o Senhor Lin com olhos penetrantes, adequados para um interrogador em um drama policial.
Um Wen Qinxi vulnerável, que nunca teve um pai antes, gaguejou, incapaz de pronunciar uma única sílaba. 'Droga! Todos os pais são assim?', pensou Wen Qinxi sentindo uma pressão avassaladora vindo do homem da casa.
"Dage!", gritou um garoto adolescente eufórico, interrompendo efetivamente o interrogatório do Senhor Lin. Wen Qinxi ficou tão grato ao garoto por salvá-lo, mas logo se arrependeu. O garoto era o único irmão de Lin Jingxie, chamado Lin Mingxu, com um complexo de irmão anormal.
Lin Mingxu abraçou a cintura de seu irmão, choramingando ainda mais alto do que a Senhora Lin antes. "Jin-ge uauauauauau... onde você esteve? Eu estive procurando por você em todos os lugares. Nunca mais me deixe de novo uauauauau." O adolescente era como uma bala de caramelo grudenta em um dia quente de verão.
Até mesmo o Senhor Lin teve que repreender seu filho, que estava chorando como se fosse um funeral. Lin Mingxu, de acordo com os arquivos, não era realmente um personagem ruim, mas porque amava tanto seu irmão, ele o obedecia. Isso o tornou cúmplice dos crimes, tudo por amor fraternal.
Wen Qinxi até notou alguns hematomas roxos na clavícula de Lin Mingxu que eram obviamente resultado de ter levado uma surra. O idiota provavelmente importunou Qie Ranzhe e sua gangue para saber onde Lin Jingxie estava, mas, claro, não terminou bem para ele.
"De agora em diante, vou me mudar para o quarto do Jin-ge para poder ficar de olho nele", disse Lin Mingxu ainda abraçando seu irmão. Wen Qinxi não pôde deixar de se sentir angustiado, nem mesmo seu irmão mais novo de verdade era tão grudento. Lin Mingxu só ia incomodá-lo se fizesse isso.
"Não, isso não vai acontecer, pirralho. Fique no seu próprio quarto", berrou o Senhor Lin com uma voz autoritária que fez Lin Mingxu se encolher.
"E pare de esmagar seu irmão, ele passou por tanta coisa. Vá verificar o que está demorando o médico, ele deveria ter chegado agora", disse a Senhora Lin, livrando-se com sucesso de Lin Mingxu, pelo qual Wen Qinxi estava realmente grato.
Um servo entrou com uma bandeja de mingau de camarão quente, especialmente preparado para ele. "Aqui, coma, você deve estar faminto", disse a Senhora Lin mexendo o mingau para ele antes de tentar alimentá-lo com a própria mão.
"Você está falando sério? Ele quase morreu, não tem deficiência, suas mãos estão funcionando perfeitamente", disse o Senhor Lin repreendendo sua esposa, que estava mimando um rapaz crescido.
Wen Qinxi deu a ela um sorriso caloroso antes de pegar a tigela. "Eu mesmo faço, mãe, obrigado." Ambos olharam para ele com olhares suspeitos, atordoados pela polidez. Lin Jingxie sempre foi rude com sua mãe, de modo que seu pai geralmente tinha que intervir.
"Você deve ter batido na pedra certa quando caiu na água", disse o Senhor Lin observando-o atentamente. Sob o olhar atento do casal Lin, Wen Qinxi comeu o delicioso mingau de camarão, com a Senhora Lin só o deixando ir quando a tigela estava vazia.
Wen Qinxi foi para o que era o quarto de Lin Jingxie e se esticou na cama confortável enquanto apertava a ponte do nariz, chamando pelo sistema.
"Sistema", ele chamou em sua mente, mas ele não respondeu, "Sistema, apareça ou eu vou te rebaixar quando eu acabar aqui."
"Meu nome não é Sistema. Como você gostaria que eu te chamasse de humano? Ei, humano, aparece!", disse o sistema, nada intimidado por suas palavras.
"Haaaa... tudo bem, tudo bem, Jolie, abra o canal de comunicação", respondeu ele, chegando ao seu ponto de ebulição.
"Eu não ouvi o 'p'. Me chame quando tiver um pouco de educação", disse o sistema, fugindo imediatamente da cena, e assim Wen Qinxi foi censurado novamente em um curto espaço de tempo.
"S@%#%#%#@%# sistema, f@%#%@%@%@ sua mãe e f#%#%@%%@%@ sua avó também!", amaldiçoou um Wen Qinxi frustrado.