Volume 1 - Capítulo 26
Salvando o CEO Autoritário
Os dois rapazes seguiram Mestre Lin como dois condenados à morte esperando o veredito final. Caminharam em silêncio, com medo de emitir um único som que pudesse irritar Mestre Lin e piorar a situação. Mestre Lin ficou calado durante todo o caminho, só falando ao se sentar e olhar para os dois.
Só então ele viu claramente o rosto de Qie Ranzhe, e quanto mais olhava, mais sufocado se sentia. A criança lhe era familiar, mas Mestre Lin não conseguia se lembrar de quem ele se parecia. Ser encarado assim por Mestre Lin deixou Qie Ranzhe desconfortável, sentindo-se como se tivesse sido completamente desvendado. Tudo o que sabia era que precisava manter sua presença o mais discreta possível para não prejudicar Lin Jingxie.
Mestre Lin sentiu uma pontada de dor lancinante no peito ao perceber com quem o rapaz se parecia. O menino era uma cópia exata do próprio imperador, o que o lembrou da conversa que tivera com o Príncipe Anzhie uma semana antes. O príncipe estava procurando uma concubina do imperador que havia desaparecido do palácio havia quase duas décadas. Era seguro assumir que aquele rapaz era filho da concubina.
Mestre Lin não era bobo e entendeu o plano do Príncipe An. Por que um príncipe, prestes a ser nomeado príncipe herdeiro, deixaria o conforto do palácio em busca de uma concubina cujo nome ele nem mesmo lembrava? O Príncipe Anzhie estava definitivamente se certificando de eliminar o inimigo antes que a competição começasse. "Qual o seu nome?", perguntou Mestre Lin, tentando parecer o mais natural possível.
"Meu nome é Qie Ranzhe e peço desculpas pela intromissão, foi tudo ideia minha e Lin Jingxie não teve nada a ver, eu o forcei", disse Qie Ranzhe, prostrando-se diante de Mestre Lin, surpreendendo Wen Qinxi. Ele não esperava que Qie Ranzhe assumisse toda a culpa, se sacrificando. Ou talvez fosse uma estratégia para arrancar algo dele. 'Que diabos ele quer? Mais comida ou mais noites em meu quarto, qual dos dois?', pensou Wen Qinxi, lançando-lhe um olhar de lado.
"Hm, entendo, mas onde fica sua família? Tenho certeza de que nunca ouvi falar do seu sobrenome por aqui", perguntou Mestre Lin. Ele realmente não conhecia nenhum parente da família Qie morando na cidade ou perto dela. Claro, ele reconhecia o sobrenome Qie da família real, mas ninguém faria a conexão, pois não associariam um arruaceiro ao imperador.
"Eu não tenho família, Mestre Lin. Fui resgatado por uma velha gentil quando era recém-nascido, com apenas meu nome", respondeu Qie Ranzhe, esperando terminar a conversa o mais rápido possível, pois o machucava pensar que ninguém neste mundo o queria. Ele fora jogado no lixo como um traste, sem nem mesmo uma chupeta para consolá-lo. Qie Ranzhe estava tão imerso em sua dor que inconscientemente cerrou o punho, cravando as unhas na palma da mão a ponto de sangrar.
"Levante-se", disse Mestre Lin pensando: 'Que diabos! Eu deveria estar me ajoelhando para você, não o contrário!' Ele já conseguia imaginar o imperador o repreendendo por permitir que seu filho se prostrasse diante dele. Ocultando o pânico, Mestre Lin indagou: "Quantas vezes?"
"Hein?", perguntou Wen Qinxi, sem entender a pergunta.
"Vocês dois obviamente fizeram isso várias vezes, então quantas vezes fizeram isso pelas minhas costas?", perguntou Mestre Lin de forma calma e controlada, mas não esperava que Lin Jingxie ficasse calado, relutante em divulgar os detalhes. 'Que criança teimosa', pensou ele, e estava prestes a assustá-lo batendo na mesa com o punho quando Lin Mingxu apareceu, agora adequadamente vestido.
"Pai...", disse Lin Mingxu tentando salvar o irmão do castigo. Na última vez que ele recebera aquele castigo, o cheiro só saiu depois de vários banhos, mas Lin Mingxu interrompeu-se quando Lin Jingxie o olhou com uma expressão de "cuide da sua boca".
"Foram duas? Três? Fale ou eu vou doá-lo como trabalhador braçal para toda a cidade na próxima primavera!", ameaçou Lin Jingxie, batendo com força na mesa, fazendo os três tremerem. Mestre Lin era tão assustador quanto soldados em combate. 'Puta que pariu, não precisa se exaltar tanto. Eu vou te contar', pensou Wen Qinxi, encolhendo-se e levantando nervosamente um dedo.
"U-ma... Duas... não, uma vez, foi definitivamente uma vez...", disse Wen Qinxi, arrastando as palavras enquanto avaliava a reação de Mestre Lin, mas se assustou quando o homem jogou um pergaminho nele, que ele desviou, caindo nos braços de Qie Ranzhe como uma garota fugindo de seu pai furioso, buscando proteção em seu namorado.
"O que você está escondendo atrás dele? Estou furioso porque você não está me dizendo a verdade, conte tudo!", disse Mestre Lin, perdendo completamente a paciência. Ele odiava mentiras mais do que o crime, daí sua raiva contra Lin Jingxie.
Wen Qinxi voltou para onde estava antes e limpou a garganta ruidosamente, fingindo coragem. "É, hum, acho que...", disse ele antes de contar em um sussurro alto: "uma, duas, três... oito... doze. Mais ou menos quinze vezes", com a última parte dita hesitantemente porque nem ele mesmo tinha certeza de quantas vezes Qie Ranzhe entrara sorrateiramente em seu quarto.
"É por isso que você quer construir um abrigo? Você está se vestindo de mulher, me envergonhando pela cidade toda para ajudá-lo?", perguntou Mestre Lin, apontando para Qie Ranzhe, que estava alheio a tudo isso. Ele olhou na direção de Lin Jingxie, mas o rapaz não lhe deu a mínima atenção enquanto se explicava para o pai.
Um caloroso sentimento derreteu o coração gelado de Qie Ranzhe, seus olhos fixos na segunda pessoa que alguma vez lhe mostrara qualquer tipo de carinho. Ele não conseguia deixar de se perguntar por que Lin Jingxie estava fazendo aquilo, o que ele queria? Ele não tinha dinheiro nem status, então para que esse cara, a quem quase assassinara a sangue frio, fazia tudo isso?
"Me dê todo o dinheiro que você ganhou", disse Mestre Lin, massageando a testa em frustração. A cidade inteira comentava sobre a elegância e graça de Lin Jingxie e como ele poderia facilmente passar por uma garota. Essa era a fofoca principal entre aqueles velhos senhores quando ele compareceu a uma reunião no escritório do governador.
"Eu só ganhei metade do que precisamos", disse Wen Qinxi, colocando a bolsa na frente de Mestre Lin.
"De agora em diante você não precisa mais se apresentar. Vou me contentar com o que você tem. Você é realmente algo de outro mundo. Você sabe que o Mestre Sun tem me seguido, me perguntando se eu posso ceder e casar você com o Sun Haoran? Não ouse usar vestido novamente, você me ouviu?!
'Ai... homens são tão chatos, eles ficam excitados com qualquer um que use saia, sem se importar com o que há por baixo', pensou Wen Qinxi, segurando seu estômago roncando, secretamente esperando que Mestre Lin não planejasse matá-los de fome.