
Capítulo 490
Gênio do Teletransporte da Academia de Magia
Com a tensão estampada em todo o rosto, Florin seguiu até a recepção onde os chamados "Elfos Negros" aguardavam.
Sua mente estava inundada de pensamentos.
E se eles fossem realmente Elfos Negros?
O que ela faria se exigissem seus direitos?
Embora se sentisse mal por tê-los deixado esperando, ela havia revisado o "Protocolo para o Aparecimento dos Elfos Negros" deixado por seus antecessores, por via das dúvidas. No entanto, ele foi de pouca ajuda.
Os reis anteriores a Florin mal governavam, existindo unicamente para comungar com a Árvore do Mundo. Tinham tão pouco senso de responsabilidade que poderiam ter entregado o trono se os Elfos Negros simplesmente tivessem pedido.
Mas Florin era diferente.
Ela levava as responsabilidades e os deveres de seu papel mais a sério do que qualquer um.
Nesta era de rápidas mudanças, humanos, anões e inúmeras outras raças avançavam sem parar. Se apenas os elfos permanecessem isolados na floresta, inevitavelmente ficariam para trono no futuro distante.
"…Se os Elfos Negros sonham com um futuro mais brilhante para este reino, eu de boa vontade cederei o lugar."
E se não fosse esse o caso?
Se eles tivessem voltado apenas para cobiçar o trono…
Perdida em seus pensamentos, Florin acabou se encontrando diante do salão de recepção.
Ao alcançar a maçaneta, ela de repente recuou, seus ombros tremendo.
"Essa sensação…?"
Possuindo uma forte conexão com a energia da natureza, ela conseguia detectar vestígios de corrupção até certo ponto.
É claro, Magos Negros completamente ocultos, como Baek Yu-Seol, seriam mais difíceis de distinguir. No entanto, dentro da Árvore do Mundo, seus sentidos eram tão aguçados quanto os de um mago Classe 9.
E ela conseguia sentir claramente agora.
Uma energia fria, cortante, sinistra e opressiva emanava de além da porta do salão de recepção.
"Mago Negro."
Se não, essa energia era simplesmente inexplicável.
Acalmando sua expressão, Florin segurou a maçaneta com firmeza e empurrou a porta.
Clique!
"Ah! Você chegou!"p>
Ao entrar, três indivíduos sentados no sofá sorriram amplamente e acenaram para ela. Sua saudação era casual demais para caber a um rei, mas este não era o momento para se preocupar com tais formalidades.
Eles tinham orelhas pontudas, cabelos prateados adornados com ornamentos feitos de trepadeiras entrelaçadas, olhos verdes e tatuagens em forma de árvore gravadas em seus ombros, cinturas e bochechas. Por todas as aparências, eram inegavelmente elfos.
Se não fosse por sua pele, tão escura quanto sombras, e a aura opressiva que os cercava, alguém poderia confundi-los com Elfos Nobres.
Sem dizer uma palavra, Florin caminhou até o lado oposto e sentou-se. Os chamados Elfos Negros sorriram para ela e começaram a falar.
"Bem, bem, é uma honra conhecê-La. Ouvimos que o trono havia passado a uma nova governante, mas não esperávamos alguém tão bela."
"Vocês dizem que souberam da novidade?"
Haha, sim. Tivemos o privilégio de conhecer seu predecessor."
"Perdão…?"
Isso era novidade para ela.
É claro, ela não havia sido informada de tudo sobre seu predecessor. O Rei Élfico anterior havia falecido subitamente, deixando Florin, ainda jovem, herdar o trono sem nenhuma transição adequada de poder.
A partir deste ponto, já parecia que ela estava sendo arrastada para um jogo de astúcia.
Os Elfos Negros trocaram olhares significativos, seus sorrisos carregando um ar de travessura.
"Hmm, julgando por sua expressão, parece que não Lhe contaram sobre isso."
O Elfo Negro do sexo masculino, com os dedos entrelaçados, falou em seguida.
"Meu nome é Dalion. Há muito tempo, como se amaldiçoados pelos próprios céus, nós, Elfos Negros, encontramos cada vez mais dificuldade para nos reproduzir. Nossos números diminuíram à beira da extinção, nos forçando a nos esconder nas sombras para evitar aqueles que nutriam grandes rancores contra nós. Mas mesmo assim, sou um príncipe dos Elfos Negros."
Um príncipe dos Elfos Negros.
No momento em que ouviu isso, Florin tinha uma boa ideia do que ele exigiria. Qualquer um poderia adivinhar.
"Foi um longo, longo tempo."
As mãos entrelaçadas de Dalion tremeram levemente.
"Suportamos intermináveis anos de humilhação e desonra, escondidos nas sombras. Mas acabou. A hora de nossa promessa chegou, Rei dos Elfos Nobres."
Notavelmente, Dalion se referiu a ela como o "Rei dos Elfos Nobres", em vez do "Rei das Fadas."
"Agora é hora de tudo retornar ao seu lugar de direito, Vossa Majestade. Nós, Elfos Negros, fomos os primeiros a proteger a Árvore do Mundo, até mesmo antes dos Elfos Nobres ou de qualquer outra fada. Portanto…"
Florin fechou os olhos. Ela havia antecipado aquilo. Não estava surpresa.
"Eles são Elfos Negros."
E…
"Eles também são Magos Negros."
Por que exatamente os Elfos Negros haviam sido forçados a viver escondidos todo esse tempo, Florin não sabia.
Mas por que eles escolheram agora — este momento de turbulência e mudança, quando ela havia estabelecido recentemente um sistema real estável e começado a construir o Reino Élfico como uma nação unificada — para ressurgir tão subitamente?
A resposta era óbvia.
Agora que ela havia lançado as bases, provavelmente pretendiam tirar proveito de seu trabalho árduo e curvar o reino à sua vontade.
Sua mente afiada rapidamente simulou resultados possíveis.
Tendo visto os Elfos Negros com seus próprios olhos, era muito fácil prever o que poderia acontecer em seguida.
"Um sistema nobre para os Elfos Negros emergirá, juntamente com uma hierarquia de castas."
Para ser justo, uma hierarquia já existia.
Havia uma distinção entre Elfos e Elfos Nobres.
No entanto, não havia classes nobres.
Os Elfos Nobres simplesmente possuíam uma capacidade natural de absorver a energia da natureza de forma mais eficiente, permitindo-lhes acessar lugares que elfos comuns não podiam entrar. Mas isso não lhes garantia direitos ou privilégios especiais.
Além disso, embora houvesse Anciãos e um Conselho, estes eram simplesmente Elfos Nobres sábios que haviam vivido por muito tempo. Não havia discriminação em seu sistema… pelo menos, não mais.
Por quê?
Porque durante a Revolta do Solo do Crepúsculo, o Conselho de Anciãos corrupto foi completamente erradicado e abolido.[1]
O Reino Élfico atual, além de sua autoridade real, era uma sociedade perfeitamente igualitária sem um sistema de castas.
Os Elfos Negros desejariam tal igualdade?
Não.
Eles não desejariam.
O Príncipe Elfo Negro diante dela claramente desejava que sua raça recuperasse a proeminência, que sua presença fosse conhecida no mundo mais uma vez, e que governassem acima de todas as outras fadas, como supostamente fizeram nos tempos antigos.
"Foi prometido no dia em que partimos. Que quando retornássemos algum dia, o trono seria devolvido a nós. Afinal, a posição do Rei das Fadas não é meramente sobre proteger a Árvore do Mundo?"
Apesar de saber a verdade, ele falou essas palavras com uma confiança descarada.
"Então, por que não nos devolver o trono agora?"
Se — apenas se —
Os Elfos Negros realmente fossem os ancestrais das fadas como descrito na lenda, e se genuinamente pretendessem nutrir e proteger a Árvore do Mundo com um coração nobre e bondoso…
Florin teria entregado o trono sem hesitação.
Como rei, ela não gozava de privilégios especiais.
Sua vida era simplesmente muito mais ativa e exaustiva do que a de qualquer outro elfo.
Se outra pessoa estivesse disposta a assumir esse fardo, não seria um alívio para ela? Não receberia de braços abertos?
Mas o homem diante dela não era tal pessoa.
Este homem buscava apenas o avanço dos Elfos Negros como uma única raça.
E assim, Florin tomou uma das decisões mais resolutas de sua vida.
Ela lentamente levantou a mão até seu rosto, passando os dedos pelo véu que usava. Era a primeira vez desde seu encontro com Baek Yu-Seol.
"A bênção da Lua de Primavera Rosa."[2]
Revelar seu rosto enquanto banhada pelo suave brilho rosa daquela bênção não era uma questão trivial.
Swish—
Ao remover gentilmente seu véu e deixá-lo cair para trás, a curiosidade do olhar de Dalion se transformou em choque. Seus olhos se arregalaram enquanto ele a encarava, estupefato.
As pupilas de Florin brilhavam com um fulgor rosa suave e radiante.
Tudo era diferente agora.
Ela já não usava o poder da sedução para fazer outros ficarem apaixonados, forçando-os a entregarem suas vidas.
Ela havia aprendido a suprimir aquele poder mortal.
A habilidade que empregava agora não era nada menos que puro encantamento.
Um poder que abalava o coração de uma pessoa tão profundamente que a compelida a se submeter inteiramente à sua vontade.
Era o poder de transformar alguém em um escravo do amor.
Era uma habilidade tão assustadoramente potente que ela nunca a havia usado em ninguém antes.
Ela havia jurado nunca usá-la em sua vida.
"Um dia, pode chegar um momento em que você precisará usá-la. Quando esse momento chegar, não hesite nem tema. Use-a, porque você é o rei."
p>Como Baek Yu-Seol uma vez lhe dissera, Florin não confundiu este momento como aquele em que seu poder era necessário.
"Agora…"
Dalion tentou falar, mas as palavras nunca saíram. Suas pupilar dilataram levemente, seus braços penderam inertes, e ele nada pôde fazer a não ser encarar Florin vaz.
O mesmo aconteceu com os outros dois Elfos Negros. Como ela havia antecipado.
"Até mesmo contra Magos Negros, parece que meus olhos de encantamento são eficazes, não é?"
"Eu…"
"Responda-me."
"S-sim… são…"
Dalion assentiu, sua expressão atontada e tolicamente adoradora. Ver seu rosto enchia Florin de desconforto, mas ela prosseguia com seu interrogatório.
"Elfos não têm conceito de honra. Mas nosso orgulho em guardar a Árvore do Mundo era maior do que qualquer outra coisa. Como os Elfos Negros, que um dia tiveram tal orgulho, puderam cair em tal corrupção?"
"Nós… nós não… caímos…"
"Se você quer meu amor, não minta."
Escravizado por seu amor por ela, Dalion estava agora em um estado em que ofereceria até mesmo seu coração a Florin. ainda naquele estado —
"Não é… uma mentira…"
Com uma expressão como se lhe entregasse sua própria alma, Dalion respondeu: "Nascemos… com mana escura desde o início…"
"O que… O que você acabou de dizer?"
Para Florin, suas palavras foram um choque total.
Ao chegar às Planícies da Lua Minguante, o primeiro destino de Baek Yu-Seol foi as forças da Companhia de Comércio Estrela Nublada.
Unir forças com os cavaleiros de Stella, sem dúvida, seria a maneira mais eficiente de proceder.
Sem dúvida, eles seriam amigáveis com Baek Yu-Seol.
Mas conveniência e preferência são coisas diferentes. Se ele fosse ativo aqui, não seria melhor trabalhar ao lado de uma das maiores belezas do mundo em vez de homens suados?
"Oh, Jeliel!"
"…Você chegou."
O local onde Baek Yu-Seol chegou era o meio de uma vasta planície, onde quatro Portas de Persona haviam se aberto simultaneamente.
Quatro enormes esferas de energia carmesim sinistravam piscando no ar, emanando uma aura sinistra de magia.
Ao redor, quartéis temporários e vários dispositivos mágicos de ponta foram montados para analisar as Portas de Persona, enquanto guerreiros-magos guardavam o local, prontos para agir em caso de emergência.
A maioria deles ostendava o emblema da Companhia de Comércio Estrela Nublada. Vendo o poder militar que a companhia possuía, Baek Yu-Seol se perguntou por que uma nação não havia intervido para regulamentá-los.
"Talvez não seja um grande problema porque Estrela Nublada pertence ao Reino Élfico?"
O Reino Élfico tinha um conceito vago de autoridade real centralizada, então não parecia se importar com seu povo mantendo forças privadas.
"Vou ter que resolver esse tipo de coisa mais tarde…"
Por enquanto, era uma sorte que Jeliel fosse gentil e cooperativa. Mas e se um dia ela decidisse que queria ser rei e organizasse um golpe para derrubar Florin? Poderia causar um colapso interno massivo.
"Você está bem. Parece que tem se saído bem ultimamente."
"Fiquei acordada a noite toda."
"…Minha culpa."
Jeliel fez aquele comentário enquanto encarava intensamente os documentos que segurava.
Hmm.
Sentindo-se um pouco culpado por seu comentário anterior, Baek Yu-Seol roubou olhares para seu rosto.
Para alguém que alegava ter passado a noite em claro, ela parecia surpreendentemente descansada. Na verdade, sua tez estava brilhante, e sua pele parecia mais suave e radiante do que nunca.
Ao sentir o olhar descarado de Baek Yu-Seol, Jeliel pensou consigo mesma:
"…Bem, ouvi antecipadamente que ele estava vindo."
Antes de partir, Baek Yu-Seol havia ligado para a sede da Estrela Nublada procurando Jeliel. Mas como ela já havia partido, ele não conseguiu alcançá-la.
No entanto, a notícia de sua visita foi rapidamente repassada por outro membro da equipe.
Tendo ficado acordada a noite toda resolvendo a situação e parecendo pior do que estava, Jeliel havia escondido apressadamente sua fadiga com maquiagem.
É claro, esta aparência impecável devia muito ao trabalho dos coordenadores mais habilidosos.
Jeliel simplesmente lhes dissera: "Apenas faça com que eu não pareça cansada. Nada elaborado." Mas com que frequência um coordenador tem a oportunidade de trabalhar em um rosto tão belo?
Declarando ser um desperdício tratar tal beleza com algo menos que perfeição, os coordenadores colocaram todo o seu coração e alma em seu trabalho, empregando cada técnica que conheciam.
Como resultado, a tez de Jeliel agora parecia naturalmente radiante, como se ela não estivesse usando maquiagem alguma.
Embora o processo tivesse levado um tempo irritantemente longo, o esforço valeu a pena, permitindo-lhe esconder sua fadiga sem parecer que havia se esforçado demais.
Ela não tinha a menor intenção de dar a impressão de que havia se arrumado apressadamente apenas porque Baek Yu-Seol estava visitando.
Nesta situação, a arte sutil dos coordenadores era algo pelo qual ela era grata.
Falando em um tom deliberadamente casual, ela se dirigiu a ele.
"Então, você planeja entrar nas Portas de Persona?"
"Claro. Não sou do tipo que fica do lado de fora mexendo em máquinas e analisando dados."
Jeliel instintivamente sentiu o impulso de se oferecer para acompanhá-lo, mas rapidamente mordeu o lábio para se conter.
Se fosse Eisel ou Flame, elas não teriam resistido a seus instintos. Mas Jeliel tinha muitas responsabilidades para lidar ali.
"Por quê? Você quer vir também?"
Diante de sua pergunta provocativa, ela achou muito mais difícil se conter.
"…Duvido que fosse de muita ajuda se fosse. Estou exausta agora."
"Eu sei. Você também parece muito ocupada. Só estava perguntando por cortesia."
Ela esperava que ele insistisse no assunto, mas Baek Yu-Seol aceitou sua resposta imediatamente. Sentindo-se frustrada, Jeliel cerrou os punhos e se forçou a falar.
"Ainda assim, tive algum treinamento como guerreira-maga. Ficar sentada assim só me deixa inquieta."
Com isso, ela deixou os documentos de lado.
Na realidade, não havia nenhuma razão urgente para Jeliel se manter tão ocupada no momento.
A maioria das tarefas críticas já havia sido resolvida. Mercenários e magos das torres haviam sido contratados e enviados para suas respectivas posições. Comandantes haviam sido designados para cada Porta de Persona, e forças de reserva estavam no caso de mais portas aparecerem.
Ela havia até ficado acordada a noite toda para finalizar a transferência de autoridade para os representantes designados. Ela finalmente podia descansar.
Mas não conseguia.
Era seu hábito.
A menos que fizesse tudo sozinha, ela nunca conseguia se sentir à vontade.
Aquele hábito — sua incapacidade de delegar e insistência em lidar com tudo sozinha — era o que mantinha Jeliel enraizada ali. Se ela alguma vez encontrasse uma razão boa o suficiente, poderia facilmente ir embora e fazer outra coisa.
Então, deixando os documentos de lado, Jeliel entrelaçou os dedos e se espreguiçou, arqueando as costas. Como ninguém mais estava observando, ela permitiu-se este momento de relaxamento desprotegido, mas para Baek Yu-Seol, era uma visão desconhecida.
Sentindo seu olhar pousado nela, ela pausou no meio do espreguiçamento e olhou para ele.
"…O quê?"
"Nada, só observando."
Notando seu olhar persistente, Jeliel instintivamente inclinou a cabeça para baixo. Seu espreguiçamento havia causado uma breve vislumbre de seu abdômen.
Rapidamente abaixando os braços, ela falou como se nada tivesse acontecido.
"Vou pegar meu equipamento. Espere aqui."
"Uh, claro…"
Estava claro para qualquer um que ela estava envergonhada e havia se desculpado apressadamente. No entanto, a expressão inexpressiva habitual de Jeliel e sua compostura sem vergonha não davam nenhum sinal externo de seu constrangimento.
[1] - Revolta do Solo do Crepúsculo: Evento histórico no Reino Élfico em que o Conselho de Anciãos corrupto foi derrubado.
[2] - Lua de Primavera Rosa: Uma bênção ou poder especial associado a Florin, possivelmente ligado a um evento celestial ou mágico.